No IMJK, o Dia da Consciência Negra inspira negritude, pertencimento e novos futuros
No Instituto de Música Jacques Klein (IMJK), a celebração do Dia da Consciência Negra vai além do calendário e se manifesta diariamente nas histórias, trajetórias e sonhos dos alunos. Em um território marcado por resistência, como o Passaré, onde a luta por moradia e dignidade atravessa gerações, o instituto desenvolve um trabalho em que o pertencimento é a principal força de transformação.
Nos programas PEDH (Programa Envolver de Desenvolvimento Humano) e PMJK (Programa de Música Jacques Klein), o IMJK atende mensalmente mais de 500 crianças e adolescentes, beneficiando indiretamente mais de 2.200 famílias. Cerca de 87% dos estudantes são jovens pretos e pardos, 98% estudam na rede pública, 53% são do gênero feminino e 40% não têm acesso ao saneamento básico. Muitos vivem em condições que tornam temas como igualdade racial menos acessíveis, seja pela urgência da sobrevivência, seja pela falta de letramento racial.
No território em que atuamos, que abrange as comunidades do entorno do bairro Passaré, aproximadamente 52% da população vive abaixo da linha da pobreza, com renda per capita inferior a R$ 700 mensais, segundo critérios do IBGE. A taxa de desemprego chega a 22%, número superior à média de Fortaleza, que foi de 12% em 2023.
Para o IMJK, reconhecer o Dia da Consciência Negra é reconhecer a luta, a resistência e a potência da população negra e também celebrar novas possibilidades de futuro. Nesse cenário, três jovens músicos representam a força transformadora da arte e da representatividade: Guilherme Benvindo, Yasmin Lima e Sara Martins.
Aos 20 anos, Guilherme Benvindo, contrabaixista da Orquestra Jacques Klein e estudante de Licenciatura em Música (UECE), iniciou sua trajetória no instituto em 2014, aos 9 anos. Primeiro universitário da família, ele entende o 20 de novembro como um marco de luta e destaca que artistas negros abriram caminhos que hoje permitem sua presença na música erudita. Para Guilherme, cada conquista vem acompanhada de responsabilidade, expressa em seu compromisso de sempre dar o melhor.
Yasmin Lima, 14 anos, violinista da Orquestra Juvenil, conheceu a música clássica apenas ao chegar ao IMJK e se encantou de imediato. Sonha em tocar pelo mundo e conquistar uma bolsa de estudos no exterior. Para ela, o Dia da Consciência Negra reforça a importância de lembrar a luta por liberdade e valorizar a cultura afro-brasileira. Yasmin representa o talento jovem que floresce quando encontra oportunidades reais.
Sara Martins, 23 anos, violoncelista da Orquestra Jacques Klein, transformou desafios em impulso para seguir na música. Apaixonou-se pelo violoncelo ainda adolescente e, anos depois, realizou uma vaquinha para comprar seu próprio instrumento. Em 2022, alcançou o sonho de integrar a orquestra. Hoje, Sara reflete sobre a desigualdade racial ainda presente no país e no meio musical, lembrando que pessoas negras muitas vezes precisam provar o dobro para ocupar espaços. Sua trajetória é um exemplo de resistência, afirmação e orgulho.
Neste 20 de novembro, o Instituto de Música Jacques Klein celebra a negritude que pulsa nas mãos, nos sonhos e nas vozes de seus alunos. Celebra o passado de luta, o presente de conquistas e o futuro que esses jovens constroem, um futuro digno, amplo e cheio de possibilidades. No IMJK, cada estudante tem o direito de aprender música e também de se reconhecer e se orgulhar de pertencer.
Parceiros
O Instituto de Música Jacques Klein conta com o patrocínio de empresas comprometidas com a educação e a cultura, entre elas Enel Distribuição Ceará, Eneva, Ultragaz, Ipiranga, Sotreq, BTG Pactual, Genoa Capital, BM Energia, Termaco Logística, Jangadeiro Têxtil, Coopershoes, Topshoes, Vonixx, Mercadinhos São Luiz, Instituto Aço Cearense, Tintas Fortex e Resibras.
A iniciativa tem também a parceria institucional da Beach Park, Naturágua, Escritório de Advocacia Fonteles e Associados, Lide Ceará, Instituto Raimundo Vieira Cunha e Escritório de Advocacia Clóvis Mapurunga, além do apoio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). O projeto é realizado com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
O Instituto conta ainda com o suporte do projeto de investimento social privado “Seja um Instrumento”, com a participação das empresas Servtec, Cobap e Vip Cargas Aéreas.


