Dra. Kedna Macau alerta mães e pais do Ceará: dificuldades de aprendizagem dos filhos devem ser investigadas
O fim do ano letivo acende um alerta entre mães e pais em todo o Brasil — e no Ceará não é diferente: as dificuldades de aprendizagem que ficaram “escondidas” ao longo dos meses aparecem com força no boletim e no baixo desempenho em sala de aula. Embora o estado lidere o país em alfabetização na idade certa, com mais de 80% das crianças do 2º ano já alfabetizadas, ainda há uma parcela significativa que não aprende no ritmo esperado.
No cenário nacional, os dados ajudam a dimensionar a preocupação: segundo o último Pisa, cerca de metade dos estudantes brasileiros não alcança o nível básico em leitura, e mais de 70% têm desempenho insuficiente em matemática, patamar considerado abaixo do mínimo para exercer plenamente a cidadania.
Além disso, o UNICEF aponta que 4,2 milhões de alunos seguem em distorção idade-série, com dois ou mais anos de atraso escolar, o que revela um contingente expressivo de crianças e adolescentes que acumulam fracassos, repetências e desmotivação. “Quando uma criança encerra o ano com notas muito baixas, recusa para estudar, queda brusca no rendimento ou dificuldade persistente em leitura, escrita e matemática, esse não é um problema para ‘empurrar com a barriga’ — é um sinal de que a situação precisa ser investigada”, alerta a Dra. Kedna Macau, Pedagoga, especialista em Psicopedagogia Clínica e Hospitalar, mestre e doutora em Educação pela UFPB, que atua em Fortaleza.
Para ela, dificuldades de aprendizagem podem ter origem em fatores pedagógicos, emocionais ou neurobiológicos, como transtornos específicos (dislexia, discalculia, TDAH), e a avaliação psicopedagógica é a porta de entrada para diferenciar o que é uma defasagem passageira de um quadro que exige intervenção estruturada.
Estudos apontam que de 5% a 15% das crianças em idade escolar podem apresentar transtornos específicos de aprendizagem, e apenas uma pequena parcela dos alunos de baixo nível socioeconômico atinge desempenho adequado em matemática, o que reforça a importância de olhar para cada caso com cuidado e base científica.
Em um país onde quase um terço da população adulta ainda é considerada analfabeta funcional, identificar precocemente os sinais — dificuldade persistente de ler, escrever, compreender instruções, grande frustração com tarefas escolares — e buscar ajuda especializada deixa de ser um “exagero” e passa a ser, nas palavras de Dra. Kedna, um investimento direto no futuro da criança.
Psicopedagogia: a ciência que transforma aprendizagem, inclusão e desenvolvimento
A psicopedagogia tem se consolidado como uma das áreas mais importantes no acompanhamento do desenvolvimento infantil, atuando na prevenção, avaliação e intervenção das dificuldades de aprendizagem. Sua missão é promover condições para que crianças, adolescentes e adultos — típicos ou neuroatípicos — desenvolvam plenamente seu potencial. Para isso, investiga fatores cognitivos, emocionais, neurobiológicos e sociais que influenciam o aprender, orientando famílias e escolas e garantindo um percurso educacional mais saudável, inclusivo e eficaz.
No contexto clínico, a avaliação psicopedagógica segue um rigor científico que envolve anamnese detalhada, análise de documentos, observação direta, aplicação de testes qualitativos e quantitativos e investigação socioemocional. A partir desse processo, o psicopedagogo integra dados e formula um diagnóstico funcional, que não se limita a rótulos, mas aponta causas, barreiras e hipóteses a serem trabalhadas em conjunto com outros profissionais. Em seguida, realiza devolutivas claras para famílias e escolas, elabora um plano de intervenção individualizado e realiza acompanhamento contínuo para monitorar progressos e ajustar estratégias sempre que necessário.
“Essa atuação é fundamental para crianças autistas ou com outros transtornos do neurodesenvolvimento, que se beneficiam de recursos visuais, ensino estruturado, rotinas claras, estímulo às funções executivas e apoio à comunicação. A psicopedagogia adapta tarefas ao perfil sensorial, cognitivo e emocional da criança e orienta a família e a escola para garantir continuidade das estratégias no cotidiano. No caso dos transtornos específicos de aprendizagem — como dislexia, discalculia e disgrafia — o trabalho se concentra em investigar como a criança processa informações, quais habilidades estão preservadas e quais necessitam de maior estímulo, estruturando intervenções personalizadas e métodos multisensoriais que fortalecem leitura, escrita e raciocínio lógico”, afirma Dra. Kedna Macau.
A avaliação psicopedagógica também é determinante para identificar dificuldades passageiras, decorrentes de metodologias pouco alinhadas ao perfil da criança, e dificuldades secundárias a condições como TEA, TDAH ou Deficiência Intelectual. Entre os sinais que justificam a busca por acompanhamento estão atrasos na leitura, escrita ou matemática, desatenção persistente, impulsividade, desorganização, baixa tolerância à frustração, alterações no comportamento, dificuldade de interação social e mudanças bruscas no rendimento escolar. Quando essas manifestações se repetem e interferem na rotina familiar e acadêmica, a avaliação se torna essencial para compreender as causas e orientar intervenções adequadas.
“O plano de intervenção psicopedagógica é construído com base no diagnóstico funcional e estabelecido a partir de metas específicas, alcançáveis e monitoráveis. Para crianças autistas, por exemplo, o planejamento inclui rotinas visuais, divisão das atividades em etapas, apoio à comunicação funcional (verbal ou alternativa), estratégias de regulação emocional e adequações que respeitam o ritmo e as necessidades sensoriais. Já para crianças com TDAH, DI ou outros transtornos, a prioridade pode estar no fortalecimento das funções executivas, na adaptação curricular ou no manejo comportamental. Apesar das especificidades, em todos os casos o foco é garantir aprendizagem significativa e maior autonomia”, destaca a psicopedagoga.
Entre as estratégias mais eficazes no atendimento psicopedagógico estão o ensino estruturado, o uso de recursos visuais, o estímulo às funções executivas, intervenções lúdicas com propósito, ajustes pedagógicos, apoio emocional e orientação contínua à família e à escola. A psicopedagogia também se integra facilmente a outras áreas, como fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional, transformando ganhos terapêuticos em avanços reais no desempenho escolar e garantindo intervenções coesas e multidisciplinares.
“Na escola, a psicopedagogia apoia professores e equipes pedagógicas por meio da elaboração de estratégias práticas, adaptações pedagógicas, colaboração no PEI e promoção de uma cultura de inclusão baseada em evidências. Os principais desafios na prática clínica incluem a heterogeneidade dos perfis, barreiras sensoriais, rigidez comportamental, dificuldades de comunicação e a necessidade de alinhamento constante com escola e família. Ainda assim, a intervenção psicopedagógica tem se mostrado essencial para o desenvolvimento da autonomia, da comunicação, da regulação emocional e das habilidades adaptativas das crianças, com resultados que se refletem não apenas no desempenho escolar, mas na vida cotidiana”, detalha.
Diversos estudos em neurociência, educação especial e psicologia do desenvolvimento comprovam os benefícios da psicopedagogia, que se apoia em princípios como ensino estruturado, neuroplasticidade, estímulo às funções executivas e metodologias baseadas em evidências, incluindo práticas alinhadas à Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Para que o atendimento seja ainda mais efetivo, é preciso investir em formação continuada de professores, ambientes mais preparados, uso consistente do PEI e trabalho colaborativo entre família, escola e equipes multidisciplinares.
“Para famílias, educadores e profissionais, a mensagem é clara: cuidar do desenvolvimento de uma criança exige parceria, escuta e intervenção precoce. Pequenos sinais importam — e pequenos progressos também. A psicopedagogia existe para acolher, orientar e transformar possibilidades em resultados reais, garantindo que cada criança aprenda do seu jeito e participe plenamente da vida escolar e social”, informa Dra. Kedna.
Sobre Dra. Kedna Macau
Pedagoga, especialista em Psicopedagogia Clínica e Hospitalar, mestre e doutora em Educação pela UFPB. Com 17 anos de experiência como professora universitária, escritora e mentora, é referência na psicopedagogia da aprendizagem e na elaboração de Planos Educacionais Individualizados (PEI). Pós-graduanda em Neurociência e Autismo e com formações em transtornos do neurodesenvolvimento, tornou-se coautora dos best-sellers O Manual do TDAH e Simplificando o Autismo 2.0, além de coordenar o livro Neurodivergentes. Na prática clínica, atua com crianças, adolescentes e adultos — típicos e neurodivergentes — integrando ciência, acolhimento e rigor técnico para promover desenvolvimento integral e aprendizagem significativa.
Para mais informações o público deve entrar em contato através do WhatsApp: (85) 99842-1420 ou do Instagram: https://www.instagram.com/dra.kedna.macau?igsh=MXZnc3djd3Z5NzltaA==


