Crescimento dos diagnósticos de câncer reforça a importância da atenção aos impactos da quimioterapia, explica Dr Gustavo Amarante
Os dados consolidados de 2025 reforçam o crescimento dos casos de câncer no Brasil e acendem um alerta para os próximos anos. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país registrou cerca de 700 mil novos casos por ano no triênio 2023–2025, número que deve continuar em alta nas próximas décadas. Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o total de novos diagnósticos no Brasil pode ultrapassar 1,15 milhão até 2050.
Com o aumento do número de pacientes em tratamento, cresce também a atenção aos efeitos colaterais do tratamento oncológico, entre eles a queda de cabelo, uma das consequências mais impactantes do ponto de vista emocional.
De acordo com o médico especialista em saúde capilar, Dr. Gustavo Amarante, a alopecia induzida pelo tratamento ocorre porque os medicamentos utilizados atuam sobre células de rápida divisão, atingindo não apenas células cancerígenas, mas também os folículos capilares. “A quimioterapia não diferencia células doentes de células saudáveis que se multiplicam rapidamente. Por isso, os folículos pilosos acabam sendo afetados, levando à queda temporária ou, em alguns casos, mais prolongada dos cabelos”, explica.
Na maioria dos casos, o crescimento dos fios retorna após o fim do tratamento, porém há situações em que a recuperação é parcial ou não acontece. Nesses cenários, o transplante capilar pode ser uma alternativa eficaz, desde que o paciente esteja clinicamente estabilizado e liberado pela equipe médica. Em paralelo, terapias tópicas podem ser tentadas para estimular o crescimento dos fios.
Durante a quimioterapia e a radioterapia, o organismo permanece fragilizado, o que contraindica qualquer procedimento cirúrgico. Em geral, recomenda-se aguardar entre seis meses e um ano após o fim do tratamento, período necessário para a recuperação do sistema imunológico e para observar se o crescimento capilar ocorrerá de forma espontânea.
Quando a queda se mostra persistente, o transplante pode ser considerado. A decisão deve levar em conta a saúde geral do paciente, a presença de áreas doadoras viáveis e a liberação do oncologista. “Mais do que uma solução estética, a restauração capilar no pós-câncer pode representar um passo importante na reconstrução da autoestima, desde que realizada com segurança e acompanhamento médico especializado”, diz o especialista.


