Veja como curtir o Carnaval sem sobrecarregar joelhos e articulações
O Carnaval é sinônimo de alegria, dança, longas caminhadas e horas em pé, mas também costuma marcar o aumento de queixas de dor no joelho após a folia. O problema não está na diversão em si, mas no excesso aliado à falta de preparo físico e de cuidados básicos com o corpo.
“O que machuca não é dançar, pular ou caminhar, e sim fazer tudo isso por muitas horas sem preparo. Estudos mostram que a fadiga muscular pode reduzir em até 40% a capacidade de proteção do joelho, fazendo com que a carga passe direto para a articulação, aumentando muito o risco de dor e inflamação”, explica o ortopedista Jonatas Brito.
Pessoas que já convivem com dor no joelho, artrose ou lesões antigas podem aproveitar o Carnaval, mas precisam redobrar a atenção. Segundo Brito, entre 30% e 40% desses pacientes apresentam piora dos sintomas após períodos intensos de sobrecarga, como longas caminhadas e muitas horas em pé. “O erro é achar que dá para aguentar tudo no sacrifício. Dor não é frescura, é o corpo pedindo limite. Ignorar isso aumenta a chance de inflamação persistente depois da festa”, alerta.
Outro fator frequentemente subestimado é o calçado. Estudos biomecânicos mostram que caminhar longas distâncias com sapatos sem amortecimento adequado pode elevar a carga no joelho em até 30% a cada passo. Saltos altos, sandálias muito rasteiras ou instáveis parecem inofensivos no início, mas se tornam um problema quando o cansaço muscular se instala.
Como curtir os blocos sem dor
A boa notícia é que pequenas medidas preventivas já fazem a diferença. Programas simples de fortalecimento de quadril, coxa e glúteos podem reduzir em até 35% o risco de dor no joelho em atividades prolongadas ou de impacto. “Não precisa virar atleta. Caminhadas progressivas e exercícios básicos antes do Carnaval ajudam bastante”, orienta o médico.
Durante a festa, o corpo costuma dar sinais claros de alerta. Dor progressiva, inchaço, sensação de fraqueza ou instabilidade no joelho indicam que é hora de parar. “Insistir na atividade mesmo com dor pode aumentar em até 50% o risco de uma inflamação articular prolongada no período pós-Carnaval”, pontua o especialista.
O consumo de álcool também entra nessa equação. Além de contribuir para a desidratação, ele reduz reflexos e equilíbrio. O Dr. Jonatas Brito revela que o uso de bebidas alcoólicas pode aumentar até 60% no risco de quedas e torções em eventos festivos, o que sobrecarrega ainda mais os joelhos e tornozelos.
“No fim das contas, dá para curtir o Carnaval sem abrir mão da saúde. O segredo é respeitar o corpo, alternar descanso com diversão e parar de tratar dor como algo normal. O Carnaval passa rápido, mas o joelho é para a vida toda”, finaliza o profissional.
Sobre Jonatas Brito
Jonatas Brito é professor e pesquisador da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unichristus. Especialista em Cirurgia do Joelho, possui doutorado em Cirurgia pela UFC, tendo realizado diversos estágios internacionais, inclusive na Alemanha. É criador da técnica mais utilizada no mundo que recupera menisco e previne artrose no joelho. Também é membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).


