Nutrição no câncer: por que começar antes dos sintomas aparecerem
A manutenção do estado nutricional adequado é um dos fatores determinantes para o sucesso do tratamento contra o câncer, impactando diretamente a tolerância às terapias e a qualidade de vida do paciente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a desnutrição atinge de 40% a 80% dos pacientes oncológicos ao longo da evolução da doença, variando conforme a localização e o estadiamento do tumor. Para diminuir esse cenário, o acompanhamento dietoterápico (tratamento de doenças por meio do planejamento alimentar), individualizado às necessidades calóricas e proteicas de cada indivíduo, prevenindo a perda severa de massa magra, se torna essencial nessa trajetória.
De acordo com a nutricionista do Centro Regional de Integrados em Oncologia (CRIO), Juliana Bastos, o protocolo alimentar deve ser iniciado logo após o diagnóstico, atuando de forma preventiva. A profissional explica que tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem alterar o paladar, provocar náuseas, mucosite (inflamação na mucosa da boca) e inapetência. Diante dessas intercorrências, a intervenção nutricional foca na adaptação da consistência, da temperatura e do fracionamento das refeições, garantindo o aporte de nutrientes necessários sem causar desconforto ao paciente.
Na prática, isso significa adaptar a textura dos alimentos, fracionar as refeições, ajustar temperatura e consistência para que o paciente consiga comer sem desconforto — e manter a ingestão de proteína suficiente para proteger a massa muscular durante o tratamento.
Um dado importante: perder mais de 5% do peso antes ou durante a terapia aumenta o risco de complicações e pode levar à interrupção do tratamento. Já a manutenção do estado nutricional está diretamente associada à melhor tolerância às terapias e à qualidade de vida.
Para a nutricionista Carone Lima, outro ponto frequente no consultório é a dúvida sobre dietas restritivas. Cortar carboidratos, por exemplo, não tem evidência científica de benefício no tratamento do câncer e pode acelerar a perda muscular. Cada paciente reage de forma diferente ao tratamento. Por isso, nenhum suplemento ou estratégia alimentar deve ser iniciado sem orientação de um nutricionista especializado em oncologia..
O CRIO reforça a importância de que todas as orientações dietéticas sejam conduzidas por profissionais de nutrição especializados em oncologia. Cada organismo reage de maneira única aos protocolos terapêuticos, o que torna contraindicado o uso de suplementos ou fitoterápicos sem a devida validação e prescrição clínica. O atendimento especializado está disponível na instituição para planejar e monitorar a evolução nutricional dos pacientes assistidos.



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