Crédito do trabalhador: educação financeira é chave para promover benefícios reais para empresas e funcionários
O número de trabalhadores com empréstimos consignados saltou de 11 mil para 25 mil em um ano em decorrência da criação do Crédito do Trabalhador. As estatísticas, divulgadas no final de junho, são provenientes do levantamento realizado pela Serasa Experian. Informações do Banco Central (BC) apontam que a utilização do programa segue sendo ampliada, com o volume mensal de liberações em consignado saindo de R$ 1,5 bilhão para quase R$ 11 bilhões.
Para o diretor executivo do Grupo Pilares, Paulo França, o Crédito do Trabalhador representa um importante instrumento de inclusão financeira, uma vez que é capaz de impulsionar a capacidade produtiva das pessoas. No entanto, deve ser usado com cautela. “Quando o crédito é direcionado principalmente para cobrir despesas correntes, pagar dívidas antigas ou complementar a renda mensal, seu efeito econômico tende a ser limitado e, muitas vezes, preocupante”, alerta.
França chama a atenção para o real custo financeiro da modalidade. “Apesar de possuir taxas inferiores às de opções como cheque especial e cartão de crédito rotativo, os juros ainda permanecem elevados quando comparados ao potencial de crescimento da renda do trabalhador”, detalha o diretor, destacando que, quando uma parcela significativa da renda familiar passa a ser destinada ao pagamento de juros e amortizações, ocorre uma redução imediata da capacidade de consumo.
O especialista avalia, sob a ótica macroeconômica, que a concentração excessiva da renda das famílias no pagamento de juros diminui a velocidade com que o dinheiro circula entre empresas, trabalhadores e prestadores de serviço. “Uma população excessivamente endividada tende a consumir menos, investir menos e apresentar maior vulnerabilidade diante de imprevistos como desemprego, problemas de saúde ou aumento do custo de vida. Esse cenário pode afetar diretamente o crescimento econômico e a geração de empregos”, pontua.
França defende que o crédito saudável deve financiar ativos capazes de produzir renda futura, como programas voltados ao financiamento de veículos utilizados por taxistas e motoristas de aplicativos, o financiamento de imóveis ou aqueles destinados à educação e desenvolvimento de pequenos negócios, por exemplo.
Diante dos desafios, o diretor acredita na educação financeira como estratégia eficiente para que empresas e trabalhadores obtenham benefícios reais com o programa. “Embora a contratação do crédito seja uma decisão individual do trabalhador, as empresas precisam manter uma gestão administrativa e contábil rigorosa para cumprir corretamente suas obrigações. Negócios que investem em programas de educação financeira costumam observar benefícios indiretos, como redução do estresse financeiro dos colaboradores, menor absenteísmo e melhoria do ambiente organizacional”, afirma.
GRUPO PILARES
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