Julho Roxo alerta para sintoma de câncer de bexiga que é frequentemente ignorado
Um sintoma aparentemente simples e, muitas vezes, tratado com descaso pelas pessoas pode esconder um câncer potencialmente grave. Ainda que ocorra apenas uma vez e sem qualquer dor, a presença de sangue na urina é o principal sinal de alerta para o câncer de bexiga, doença que figura entre os tumores urológicos mais frequentes no Brasil e cuja campanha de conscientização ganha destaque durante este mês, o Julho Roxo.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 11.970 novos casos de câncer de bexiga por ano no período 2026–2028, sendo aproximadamente 8.160 casos em homens e 3.810 em mulheres. A doença é significativamente mais comum na população masculina e sua incidência aumenta com o envelhecimento.
Apesar disso, muitos pacientes retardam a procura por atendimento porque o sangramento costuma ser intermitente e, principalmente nas fases iniciais, não provoca dor. “O erro mais comum é acreditar que o sangue desapareceu e, portanto, o problema foi resolvido. Na realidade, essa é justamente uma das apresentações mais características do câncer de bexiga: o sangramento pode surgir, desaparecer espontaneamente e voltar semanas ou meses depois. Toda hematúria, mesmo que indolor, deve ser investigada por um urologista”, explica o médico uro-oncologista Dr. Emanuel Veras.
A avaliação médica normalmente inclui exame de urina, exames de imagem e, quando indicado, cistoscopia, exame que permite visualizar o interior da bexiga e identificar lesões precoces.
Fatores de risco
De acordo com o uro-oncologista Dr. Diego Capibaribe, estima-se que cerca de metade dos casos de câncer de bexiga esteja relacionada ao tabagismo. Isso ocorre porque substâncias cancerígenas presentes na fumaça do cigarro são filtradas pelos rins e permanecem em contato com a parede da bexiga durante o armazenamento da urina.
Além do cigarro convencional, a exposição ocupacional prolongada a produtos químicos utilizados nas indústrias de tintas, borracha, couro, combustíveis e metalurgia também aumenta o risco da doença, especialmente quando envolve contato prolongado com aminas aromáticas e outros compostos carcinogênicos.
Outros fatores associados incluem idade acima de 60 anos, infecções urinárias crônicas, irritação persistente da bexiga e tratamentos prévios com radioterapia na região pélvica. “O câncer de bexiga apresenta excelentes possibilidades de tratamento quando descoberto precocemente. Quanto menor for o tumor e mais cedo ele for diagnosticado, maiores serão as chances de preservar a bexiga e oferecer terapias menos agressivas ao paciente”, destaca o Dr. Capibaribe.
Os médicos explicam que a indicação de tratamento depende da profundidade da invasão do tumor. Nos casos iniciais, a remoção da lesão por via endoscópica pode ser suficiente, frequentemente associada à aplicação de medicamentos diretamente na bexiga, como quimioterapia intravesical ou imunoterapia com BCG. Já nos tumores que invadem a musculatura do órgão, podem ser necessários tratamentos mais complexos, incluindo cirurgia para retirada total da bexiga — ou parcial, em casos criteriosamente selecionados —, além de quimioterapia, imunoterapia sistêmica e, em situações específicas, radioterapia com preservação vesical.
Além de interromper o tabagismo, evitar a exposição ocupacional sem proteção adequada a substâncias carcinogênicas e procurar assistência médica diante de qualquer episódio de sangue na urina são medidas fundamentais para reduzir o risco da doença e aumentar as chances de diagnóstico precoce.




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