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Pressão estética: especialistas alertam para impactos na saúde mental e orientam sobre cuidados antes de procedimentos

A busca por uma aparência considerada “perfeita” ganhou ainda mais força com a exposição constante a padrões de beleza nas redes sociais. Filtros, procedimentos estéticos, influenciadores e a comparação permanente podem fazer com que características naturais sejam percebidas como problemas a serem corrigidos, aumentando a insatisfação com o corpo e, em alguns casos, afetando a saúde mental.

Melissa Fecury, psicóloga e coordenadora do curso de psicologia da  Wyden, explica que a exposição frequente a determinados padrões pode influenciar diretamente a forma como as pessoas percebem a própria aparência. 

Na perspectiva da psicologia, comportamentos podem se fortalecer quando são acompanhados por consequências consideradas positivas, como elogios, atenção e aprovação.

“Se uma pessoa percebe que recebe mais elogios, atenção ou aprovação quando está dentro de determinado padrão estético, esse comportamento pode se fortalecer. O problema surge quando a aparência passa a ser vista como condição para ser aceita, valorizada ou se sentir bem consigo mesma”, explica.

A comparação nas redes sociais – Segundo a especialista, as redes sociais contribuem para esse processo ao apresentarem imagens que muitas vezes foram editadas ou modificadas por filtros. Curtidas, comentários e elogios também podem reforçar comportamentos relacionados à edição de fotos, busca por determinadas características físicas ou necessidade constante de aprovação.

“A pessoa pode começar a comparar sua aparência real com imagens que representam uma realidade construída. Com o tempo, isso pode aumentar a insatisfação e a necessidade de modificar a própria imagem”, afirma Melissa.

A preocupação com a aparência, por si só, não significa a existência de um problema psicológico. O sinal de alerta aparece quando ela começa a interferir na rotina e nas relações sociais. Passar muito tempo diante do espelho, tirar fotos repetidamente, esconder características físicas, buscar aprovação constante ou evitar situações sociais por causa da aparência são alguns comportamentos que merecem atenção.

A insatisfação corporal também pode estar associada, em determinados casos, ao transtorno dismórfico corporal. A psicóloga ressalta, porém, que não se deve confundir uma insatisfação com a aparência com o diagnóstico do transtorno, que envolve uma preocupação intensa com características físicas e pode levar a comportamentos como checagem no espelho, comparação, camuflagem e busca constante por aprovação.

Quando o procedimento estético não resolve a insatisfação

A realização de procedimentos estéticos também pode estar relacionada a esse ciclo. Melissa explica que, em algumas situações, a pessoa busca no procedimento uma solução para questões que ultrapassam a aparência.

“A pessoa pode realizar um procedimento, sentir alívio e receber elogios. Essa consequência reforça a ideia de que modificar o corpo é a solução para se sentir melhor. Depois, porém, outra característica passa a incomodar”, explica.

Por isso, o acompanhamento psicológico antes de um procedimento pode ajudar a compreender as expectativas envolvidas. “A proposta não é impedir a realização da intervenção, mas avaliar se a pessoa espera apenas uma mudança estética ou acredita que ela será capaz de resolver questões como insegurança, rejeição ou baixa autoestima”, pontua.

Cuidados e direitos antes de um procedimento

Além dos impactos emocionais, a pressão estética também envolve decisões que podem ter consequências jurídicas quando um procedimento apresenta complicações. Marina Bordallo, advogada e coordenadora do curso de direito da  Wyden, destaca que o paciente deve buscar informações e conhecer os riscos antes da realização de qualquer intervenção.

Segundo a especialista, uma complicação não significa automaticamente que houve erro médico. A análise deve considerar fatores como a avaliação realizada antes do procedimento, a indicação, os riscos e alternativas apresentados ao paciente, o consentimento informado, a qualificação do profissional, o cumprimento dos protocolos e o acompanhamento após a intervenção.

“Complicação não é sinônimo de erro médico. A medicina trabalha com riscos inerentes e, mesmo quando todos os protocolos são corretamente observados, determinados eventos adversos podem ocorrer”, explica Marina.

Em casos de complicações graves, a advogada recomenda a preservação de documentos e registros relacionados ao atendimento. Entre eles estão prontuário médico, exames, prescrições, termo de consentimento, contrato e orçamento, comprovantes de pagamento, fotografias, mensagens, documentos de internação e alta, além de laudos e relatórios médicos.

“O prontuário médico é uma das provas mais importantes em uma investigação dessa natureza”, afirma.

Quando há suspeita de irregularidade, diferentes caminhos podem ser avaliados, de acordo com a situação. A família ou o paciente pode buscar o Conselho Regional de Medicina (CRM) para questões ético-profissionais, a Vigilância Sanitária em casos relacionados a possíveis irregularidades sanitárias e orientação jurídica para avaliar eventual responsabilização civil ou criminal.

Marina ressalta que a análise deve ser feita individualmente e com base em documentos e provas técnicas. Em situações graves, especialmente quando há incapacidade permanente ou morte, a orientação é buscar rapidamente assistência jurídica especializada e preservar os registros do atendimento.

“A principal orientação ao paciente ou à família é: não presumir imediatamente que houve erro, mas também não aceitar uma explicação genérica de que ‘foi apenas uma complicação’. É necessário investigar”, orienta.

É jornalista desde 2018, especialista em mídia esportiva e foi CEO/Fundador do Portal Esporte News. Atuou como jornalista na TV União, radialista na Rádio Fortaleza FM (Câmara Municipal de Fortaleza) e na Rádio Dom Bosco FM. No Portal Mix Press, é CEO/Fundador e colunista, abordando cobertura de eventos, entretenimento e muito mais! | Insta: @joaopedrosilvareal Contato comercial: joaopedro@portalmixpress.com.br

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