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Perdas gestacionais recorrentes podem indicar trombofilia e merecem investigação especializada

A perda gestacional recorrente vai muito além de um desafio físico. Para muitas mulheres e casais, a sequência de abortamentos representa um sofrimento emocional intenso, frequentemente acompanhado por ansiedade, luto e até depressão, tornando indispensável o acompanhamento médico e o suporte psicológico.

Entre as possíveis causas está a trombofilia, condição que aumenta a predisposição do organismo à formação de coágulos sanguíneos. Quando não identificada e tratada, ela pode comprometer o desenvolvimento da gestação e elevar o risco de complicações maternas e fetais.

“As trombofilias podem ser hereditárias ou adquiridas. As hereditárias decorrem de alterações genéticas, enquanto a principal forma adquirida é a Síndrome Antifosfolípide (SAF), caracterizada pela presença persistente de anticorpos antifosfolípides, como os anticorpos anticardiolipina, o anticoagulante lúpico e os anticorpos anti-β2-glicoproteína I”, explica a ginecologista e obstetra Dra. Elis Nogueira.

Independentemente da origem, a trombofilia costuma permanecer silenciosa por muitos anos e, em diversos casos, só é descoberta após perdas gestacionais recorrentes, trombose, AVC, embolia pulmonar ou infarto do miocárdio.

“A mulher pode não apresentar nenhum sintoma ao longo da vida. Entretanto, durante a idade reprodutiva, episódios como abortamentos de repetição, perda fetal, pré-eclâmpsia precoce ou grave, restrição do crescimento fetal e parto prematuro relacionado à insuficiência placentária devem acender um importante sinal de alerta”, explica a especialista.

Durante a gestação, as alterações naturais da coagulação tornam esse risco ainda maior. De acordo com o Ministério da Saúde, mulheres grávidas apresentam probabilidade de tromboembolismo venoso quatro a cinco vezes superior à de mulheres que não estão gestantes.

Além das perdas gestacionais recorrentes, outros sinais que podem estar relacionados à trombofilia nas gestantes incluem:

  • Perda fetal sem causa aparente;
  • Pré-eclâmpsia;
  • Restrição do crescimento do bebê;
  • Inchaço, dor e vermelhidão em uma das pernas;
  • Falta de ar repentina e dor no peito, em casos de embolia pulmonar.

Quando investigar?

A Dra. Elis Nogueira esclarece que a pesquisa dos anticorpos antifosfolípides não integra os exames de rotina do pré-natal e deve ser solicitada apenas quando existem fatores que indiquem maior suspeita clínica.

“Na Obstetrícia, essa investigação é recomendada especialmente para mulheres com histórico de três ou mais abortamentos espontâneos consecutivos antes de 10 semanas de gestação, perda fetal após 10 semanas ou parto prematuro antes de 34 semanas associado à pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia ou insuficiência placentária”, afirma.

A especialista destaca ainda que um resultado positivo não significa, necessariamente, que a paciente desenvolverá trombose ou enfrentará complicações na gravidez.

“O diagnóstico deve ser interpretado de forma individualizada, considerando o histórico clínico, o perfil dos anticorpos e a presença de outros fatores de risco.”

Tratamento aumenta as chances de uma gestação saudável

Embora a Síndrome Antifosfolípide (SAF) não tenha cura, ela pode ser controlada de maneira eficaz quando identificada.

Em mulheres com indicação médica, o tratamento pode ser iniciado ainda no planejamento da gestação e incluir ácido acetilsalicílico (AAS). Após a confirmação da gravidez, dependendo da avaliação clínica, pode ser indicada a utilização de anticoagulantes, como a enoxaparina sódica, mantidos durante toda a gestação e no pós-parto.

“O acompanhamento multidisciplinar e individualizado é fundamental. Quando o diagnóstico é realizado no momento adequado e o tratamento é conduzido corretamente, conseguimos reduzir significativamente o risco de tromboses e aumentar a possibilidade de uma gestação bem-sucedida, sempre monitorando cuidadosamente a saúde da mãe, do bebê e da placenta”, conclui a Dra. Elis Nogueira.

Sobre a Dra. Elis Nogueira

Dra. Elis Nogueira (CRM 98.344 | RQE 57.179), é especialista em ginecologia e obstetrícia pela AMB/FEBRASGO, possui certificação em Advanced Life Support in Obstetrics. Membro da SOGESP e da FEBRASGO, integra o corpo clínico das maternidades e hospitais São Luiz Star, Vila Nova Star, Pro Matre, Santa Joana, Albert Einstein, Sírio-Libanês e Santa Catarina, entre outros.

Nota ética: Este conteúdo possui caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação médica individualizada, não promove medicamentos ou tratamentos específicos e está em conformidade com as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) para comunicação pública.

É jornalista desde 2018, especialista em mídia esportiva e foi CEO/Fundador do Portal Esporte News. Atuou como jornalista na TV União, radialista na Rádio Fortaleza FM (Câmara Municipal de Fortaleza) e na Rádio Dom Bosco FM. No Portal Mix Press, é CEO/Fundador e colunista, abordando cobertura de eventos, entretenimento e muito mais! | Insta: @joaopedrosilvareal Contato comercial: joaopedro@portalmixpress.com.br

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