Condomínios já se preparam para 2027 e colocam custos e inadimplência no radar
Enquanto empresas e famílias começam a projetar despesas para 2027, os condomínios também entram na reta final de preparação para o próximo ano. A elaboração do orçamento, que tradicionalmente ganha força nos últimos meses do exercício, deve exigir atenção especial dos síndicos diante de um cenário econômico ainda marcado por incertezas e pela possibilidade de pressão sobre custos como mão de obra, contratos terceirizados, manutenção e consumo.
A preocupação ganha relevância diante das projeções para a economia brasileira. Em agosto de 2026, o Banco Central projetou inflação de 3,8% para 2027 em seu cenário de referência e destacou a permanência de um ambiente de elevada incerteza. Para os condomínios, o desafio é transformar esse cenário em uma previsão de despesas realista, capaz de reduzir o risco de desequilíbrios financeiros ao longo dos 12 meses.
Segundo Sarah Castro, diretora Comercial do Cerus, a elaboração do orçamento deve partir de um diagnóstico detalhado da situação financeira do empreendimento. Contratos de portaria, limpeza, segurança, jardinagem, manutenção de elevadores e outros serviços terceirizados precisam ser avaliados antes da aprovação do planejamento, considerando reajustes previstos, custos de mão de obra e a real necessidade de cada serviço.
“O orçamento não pode ser simplesmente uma repetição do que foi gasto em 2026. É preciso olhar para frente, identificar os principais riscos e trabalhar com diferentes cenários. Um condomínio que antecipa reajustes, manutenções e possíveis oscilações na arrecadação consegue tomar decisões com mais tranquilidade e evita que despesas previsíveis se transformem em emergências”, afirma Sarah.
A segurança também deve fazer parte dessa conta. Em março deste ano, a Fundacentro, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, publicou um manual sobre segurança e saúde dos trabalhadores de condomínios residenciais e comerciais, reforçando a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
Na prática, treinamentos, equipamentos de proteção, manutenção das instalações e adequações necessárias para garantir condições seguras de trabalho precisam ser considerados no planejamento financeiro. O mesmo vale para despesas relacionadas à segurança da edificação, incluindo o seguro obrigatório previsto pelo Código Civil contra riscos de incêndio ou destruição, total ou parcial.
Obras de maior porte representam outro fator capaz de alterar significativamente o orçamento de 2027. Recuperação de fachadas, impermeabilização, modernização de portarias e sistemas de controle de acesso, adequações de acessibilidade e reformas das áreas comuns são intervenções que, quando não previstas com antecedência, podem resultar em cobranças extraordinárias ou pressionar o caixa.
Inadimplência exige atenção
A inadimplência também deve ocupar espaço central na elaboração do orçamento. Para construir uma previsão realista de receitas, o condomínio precisa considerar seu próprio histórico de pagamentos e atrasos, evitando projetar uma arrecadação baseada na premissa de que todas as cotas serão pagas integralmente e dentro do prazo.
“O impacto da inadimplência vai além da cobrança. Quando parte da arrecadação prevista não entra no caixa, o condomínio perde capacidade de planejamento e pode precisar adiar investimentos ou recorrer a cobranças extraordinárias. Por isso, conhecer o histórico de arrecadação e trabalhar com uma previsão financeira realista é fundamental para preservar o fluxo de caixa e dar mais segurança aos moradores”, destaca Sarah.
Nesse contexto, soluções que garantam maior previsibilidade de receita também podem fazer parte da estratégia financeira dos empreendimentos. Modelos como a receita garantida permitem que o condomínio receba os valores previstos mesmo diante da inadimplência dos moradores, reduzindo os impactos dos atrasos sobre o fluxo de caixa e dando maior segurança para o cumprimento das despesas mensais.
Com a preparação começando ainda em 2026, síndicos, conselhos e administradoras têm tempo para reunir informações, negociar contratos, levantar orçamentos, avaliar obras e definir prioridades antes de levar a proposta aos moradores. A expectativa é que o planejamento para 2027 seja cada vez menos uma formalidade anual e mais uma ferramenta estratégica, capaz de antecipar riscos, preservar a saúde financeira e garantir maior previsibilidade às contas do condomínio.



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