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Setembro Amarelo: o sofrimento silencioso de quem tenta engravidar e não consegue

Especialista em reprodução humana alerta para o impacto emocional da infertilidade e reforça que o cuidado de quem deseja gerar uma vida também precisa olhar para quem está por trás desse sonho

O Setembro Amarelo chama atenção para a importância do cuidado com a saúde mental e da valorização da vida. Dentro desse debate, existe uma realidade que muitas vezes é vivida de forma silenciosa: a de homens e mulheres que desejam ter filhos, mas enfrentam dificuldades para engravidar.

A infertilidade está longe de ser uma situação rara. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva enfrenta infertilidade em algum momento da vida. Em sua primeira diretriz global para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade, publicada em novembro de 2025, a entidade também chamou atenção para o impacto emocional dessa condição, que pode estar relacionado a sofrimento, ansiedade, depressão, estigma e isolamento social.

Para o ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Evangelista Torquato, o impacto de uma dificuldade reprodutiva não deve ser analisado apenas do ponto de vista biológico.

“Quando um casal chega ao consultório depois de meses ou até anos tentando engravidar, muitas vezes não estamos diante apenas de uma questão reprodutiva. Existe uma história de expectativas, frustrações, medo e cobranças. Por isso, tão importante quanto investigar as causas da infertilidade é olhar com atenção para as pessoas que estão vivendo esse processo”, explica.

A espera pelo teste positivo pode transformar datas, encontros familiares e até perguntas aparentemente simples em momentos difíceis. Comentários como “quando vem o bebê?” ou comparações com amigos e familiares que engravidaram podem aumentar a sensação de cobrança e frustração.

O especialista ressalta ainda que infertilidade não deve ser associada à culpa. As causas podem estar relacionadas a fatores femininos, masculinos, a uma combinação de ambos ou, em alguns casos, permanecer sem explicação mesmo após investigação.

A OMS considera infertilidade a ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem uso de contraceptivos. Dependendo da idade e do histórico clínico, porém, a investigação médica pode ser indicada antes desse período.

Outro ponto importante é compreender que procurar ajuda não significa necessariamente iniciar imediatamente um tratamento de alta complexidade. A avaliação permite entender o histórico do casal, investigar possíveis fatores envolvidos e definir individualmente os próximos passos.

“Existe uma vida acontecendo enquanto se espera pela chegada de outra. O tratamento não pode fazer com que o casal deixe de olhar para a própria saúde, para a relação e para o bem-estar emocional. Quando percebemos um sofrimento importante, o acompanhamento de profissionais de saúde mental também deve fazer parte desse cuidado”, destaca Dr. Evangelista.

A recomendação está alinhada à nova diretriz da OMS, que reforça a necessidade de acesso contínuo a suporte psicossocial para pessoas afetadas pela infertilidade.

Neste Setembro Amarelo, a reflexão ganha, portanto, uma perspectiva diferente: cuidar de quem sonha em gerar uma vida também é uma forma de valorizar a vida.

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