Saúde mental e pressão estética: quando a busca pela aparência ideal afeta essa relação
A exposição permanente a imagens de corpos e rostos considerados ideais pode modificar a maneira como uma pessoa enxerga a própria aparência. Para a psicóloga Melissa Fecury, coordenadora do curso de Psicologia da Wyden, esse fenômeno pode ser compreendido a partir da forma como determinados comportamentos são reforçados socialmente.
“Se uma pessoa percebe que recebe mais elogios, atenção ou aprovação quando está dentro de determinado padrão estético, esse comportamento pode se fortalecer. O problema surge quando a aparência passa a ser vista como condição para ser aceita, valorizada ou se sentir bem consigo mesma”, explica.
O ambiente digital amplia esse mecanismo. Fotografias modificadas, filtros e conteúdos produzidos por influenciadores podem criar referências que não correspondem à aparência cotidiana. Curtidas, comentários e elogios funcionam, em alguns casos, como estímulos para que a pessoa continue alterando a própria imagem em busca de aprovação.
“A pessoa pode começar a comparar sua aparência real com imagens que representam uma realidade construída. Com o tempo, isso pode aumentar a insatisfação e a necessidade de modificar a própria imagem”, afirma Melissa.
A preocupação com a aparência, entretanto, não é suficiente para indicar um transtorno psicológico. O principal sinal de atenção é quando essa preocupação começa a ocupar espaço excessivo na vida cotidiana.
A insatisfação corporal também pode aparecer associada ao transtorno dismórfico corporal. Melissa ressalta que “não se trata simplesmente de não gostar de alguma parte do corpo. O quadro envolve uma preocupação intensa com características físicas e pode levar a comportamentos repetitivos, como comparação constante, checagem da aparência, camuflagem e procura por aprovação”.
Outro aspecto é o que acontece depois de uma intervenção estética. Em algumas situações, a mudança produz uma sensação momentânea de melhora, mas não elimina a fonte da insatisfação. Quando isso acontece, uma nova característica pode passar a concentrar a atenção da pessoa.
Insegurança não deve deixar a saúde em segundo plano
A médica cirurgiã plástica, Elisangela Rodrigues, professora do Idomed, chama a atenção para sinais que devem levar o paciente a reconsiderar a contratação. Promessas de resultado garantido, afirmações de que não existem riscos, pressão para fechar o procedimento imediatamente, ausência de informações sobre a equipe e valores muito abaixo do habitual sem uma justificativa clara estão entre os alertas.
“O paciente não deve escolher apenas pelo preço ou pela promessa de resultado. Deve escolher segurança, formação, estrutura e uma relação de confiança com o profissional”, ressalta.
É fundamental saber, previamente, quais profissionais estarão envolvidos durante o procedimento: quem será responsável pela anestesia e quais recursos estarão disponíveis diante de uma eventual intercorrência, por exemplo.
“Preço, localização e aparência da clínica são aspectos secundários. Segurança e estrutura devem estar sempre em primeiro lugar. O paciente deve investigar isso antes de saber qual será a data da cirurgia”, afirma Elisangela.
A possibilidade de realizar mais de uma cirurgia no mesmo dia, por exemplo, não deve ser definida por uma análise simples. A especialista explica que idade, condições clínicas, resultados dos exames pré-operatórios, duração das cirurgias, possibilidade de perda de sangue, risco de trombose e capacidade de recuperação precisam ser considerados antes da definição da estratégia.
“É importante observar todos os indicadores do paciente e isso só será possível com os exames solicitados antes do procedimento e que, obrigatoriamente, devem ser realizados”, explica.



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