QXAS Festival reúne exposições, workshops e palestras em Quixadá e Quixeramobim sob o tema “O que a Terra não Esquece”
A 7ª edição do QXAS – Festival de Fotografia do Sertão Central será realizada de 28 a 31 de outubro, em Quixadá e Quixeramobim, no Ceará, com o tema “O que a Terra não Esquece”. Ao longo de quatro dias, o festival reúne exposições, workshops, palestras, projeções, saídas fotográficas, leituras de portfólio e lançamentos de fotolivros, além da ação formativa QXAS nas Escolas.
Nesta edição, são homenageados a fotógrafa paraense Elza Lima, a pioneira da fotopintura Telma Saraiva (CE) e o fotógrafo social Antônio Francisco de Oliveira (CE). A abertura será na quarta-feira, 28 de outubro, às 20h, na Casa de Saberes Cego Aderaldo, com a solenidade de homenagem e, em seguida, às 21h, a Praça da Estação recebe a abertura da exposição “O que a terra não esquece”, resultado da Convocatória Nacional do festival, com curadoria de Adriana Botelho (CE), Ana Sabia (SC) e Beto Skeff (CE).
O espírito do festival
O tema nasce de uma imagem: “o sertão não é um cenário, mas uma epiderme”. Nela, a caatinga é pele áspera de espinhos e flores, as serras são coluna vertebral que sustenta o céu e os açudes são veias que levam as águas do interior ao mar. Nesta edição do festival, a terra é compreendida como corpo, arquivo, testemunha e espaço de disputa, e perguntar o que ela lembra é, nas palavras do texto curatorial, um ato político: debater o esquecimento imposto pelas narrativas hegemônicas e afirmar que “o ontem ainda pulsa no hoje”.
Neste contexto, a fotografia é entendida mais do que como registro: é um ato de escavação, uma recusa da desmemória. A convocatória convidou fotógrafas e fotógrafos de todo o país a nomear, documentar e fabular o que a terra guarda, o que ela recria e renova e o que ela sonha, entre encantados, visões e sonhos em vigília.
Homenageados
Elza Lima (PA) fotografa desde 1984 e construiu uma obra dedicada aos espaços amazônicos, em cenários abertos que captam situações oníricas de um tempo de mudanças aceleradas. Com exposições em países como Estados Unidos, França, Suíça e Portugal, tem trabalhos em acervos como os do MASP e do MAM do Rio de Janeiro. Ela participa do festival na quinta-feira, 29, às 21h, com a palestra “Imersa n’água, atraco no Sertão”.
Telma Saraiva (CE) foi pioneira da fotopintura no Brasil. Nos anos 1940, comandou o Foto Saraiva, único estúdio dirigido por uma mulher na região do Cariri, e coloria retratos com tinta, registrando os modismos de uma época influenciada pelo cinema de Hollywood. Sua trajetória é tema do filme “Todas as Vidas de Telma Saraiva”, exibido na sexta-feira, 30, às 16h, no campus da UFC em Quixadá, seguido de palestra da pesquisadora e curadora Adriana Botelho.
Já Antônio Francisco de Oliveira, conhecido como Antônio Fotógrafo, de Senador Pompeu (CE) é fotógrafo social que registra há muitos anos as famílias da região, guardando memórias familiares do Sertão Central.
Programação em Quixadá
Na quinta-feira, 29, a programação começa às 8h30 com um percurso mediado pela cidade, com saída do Hotel Vale das Pedras. À tarde, o fotógrafo Assaoca A. (SP/CE) conduz o workshop Pensar Edição, na FECLESC/UECE – Campus Quixadá, repetido na sexta-feira. À noite, na Casa de Saberes Cego Aderaldo, há abertura da exposição “Olhares que refletem”, do QXAS nas Escolas, e bate-papo sobre a exposição “Ser-Tão”, com Celso Oliveira e Marcus Vieira, antes da palestra de Elza Lima.
A sexta-feira, 30, começa às 5h com saída fotográfica pelos Monólitos, as formações rochosas que cercam a cidade. Pela manhã, há o workshop “O Invisível Revelado”, com Mateus Sá (PE), e o workshop “Como nasce um Fotozine: Processo de Criação e Conceito”, com Alessandro de Freitas. À noite, o Quintal da Casa de Saberes recebe as palestras de Raul Plasma (Quixadá/CE), sobre a instantaneidade das memórias e a construção da contemporaneidade, e de Laís Machado (BA), com a provocação “O que é uma pessoa negra quando não é Deus ou miserável?”.
No sábado, 31, a saída fotográfica será na Fazenda Não Me Deixes, antiga fazenda da escritora Rachel de Queiroz. O dia inclui o workshop de fotografia analógica “Fotografia Popular Nordestina”, com Thiago Pedro (RJ/CE); leituras de portfólio, com Mateus Sá, entre outros convidados; a conversa Processos Criativos, com Samuel Macedo (CE), Melissa Flores (SP) e Pablo Pinheiro (RN); e o lançamento dos fotolivros “Presenças”, de Dayana Maria, e “Coração de Touro”, de Nayana Magalhães. À noite, as palestras de Oseias Araújo (CE), sobre o olhar para os territórios, e de Ana Sabia, “Maddonas e Fridas”, antecedem a apresentação dos resultados e a solenidade de encerramento, seguida de confraternização.
Exposições
Além da mostra da Convocatória Nacional, em cartaz na Praça da Estação de 28 a 31 de outubro, Quixadá recebe outras quatro exposições. “Ser-Tão”, de Celso Oliveira e Marcus Vieira, ocupa a FECLESC/UECE – Campus Quixadá de 28 de outubro a 20 de novembro. No Terreno Café Tok Verde, “120 anos do Açude Cedro”, coletiva de fotógrafos do Sertão Central com curadoria de Diana Medina e Raul Plasma, fica em cartaz de 28 de outubro a 1º de novembro.
No Quintal da Casa de Saberes Cego Aderaldo, “4towngrafia”, de Oseas Araujo e Payasu, fotógrafos da periferia de Fortaleza, com curadoria de Leandra Costa, pode ser vista de 28 de outubro a 20 de novembro. Já “Olhares que refletem”, produzida no QXAS nas Escolas em parceria com a Escola Sagrado Coração, ocupa o Terraço da Casa de Saberes de 29 de outubro a 9 de novembro.
Quixeramobim
O festival também ocupa Quixeramobim, com a exposição coletiva “Práticas de Não Conformidade”, na Casa de Antônio Conselheiro, de 28 a 31 de outubro. Em novembro, a programação inclui, ainda, o workshop de fotografia analógica “Fotografia Popular no Sertão”, com Thiago Pedro, e uma vivência de cianotipia na Casa de Antônio Conselheiro.
QXAS nas Escolas
Em paralelo à programação aberta ao público, o QXAS nas Escolas leva a fotografia às salas de aula de Quixadá e Quixeramobim, com 10 oficinas ao longo da semana do festival. Entre os temas estão pinhole, construção e princípios da câmera escura, fotografia de celular, luz na fotografia e fotografia de produtos. As turmas participantes são indicadas pelas próprias escolas, por meio de seus professores e gestores. A programação completa das oficinas pode ser consultada na programação do festival.
Sobre o QXAS Festival
O QXAS Festival tem o objetivo de promover o intercâmbio entre a fotografia cearense e a produção contemporânea brasileira nos campos da expressão e do conhecimento, fomentar a produção cultural e artística e contribuir para a democratização do acesso à cultura e a difusão da fotografia brasileira. O festival integra a Rede de Festivais de Arte e Cultura do Ceará e a Rede de Produtores Culturais de Fotografia do Brasil.
O QXAS Festival tem realização da PRODUCE, da Conexões e do Ifoto, com patrocínio do Banco do Nordeste, do Banco Itaú e da Aninger Calçados, por meio da Lei Rouanet. O Festival conta, ainda, com o apoio institucional do Museu da Fotografia, do Instituto Dragão do Mar, da Casa de Saberes Cego Aderaldo, da Casa de Antônio Conselheiro, da Secretaria da Cultura do Ceará, da Secretaria de Cultura de Quixadá, da FECLESC/UECE Campus Quixadá e da Universidade Federal Campus Quixadá.
Serviço
7º QXAS – Festival de Fotografia do Sertão Central
Tema: O que a Terra não Esquece
Data: 28 a 31 de outubro de 2026 (algumas ações e exposições se estendem até novembro)
Local: Quixadá e Quixeramobim (CE)
Mais informações e programação completa: @festivalqxas



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