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Dia de Finados: psicólogo explica como lidar com o luto e a saudade após a perda de alguém querido

O Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, é uma ocasião que costuma despertar lembranças e sentimentos relacionados à perda de pessoas queridas. Para quem enfrenta o luto, a data pode intensificar a saudade, trazer recordações e provocar emoções que nem sempre são fáceis de administrar. Embora seja uma experiência natural diante da morte, o processo de luto acontece de maneira particular para cada pessoa e exige tempo, acolhimento e respeito aos próprios sentimentos.

Uma pesquisa publicada em 2023 na revista Diálogos Interdisciplinares em Psiquiatria e Saúde Mental, vinculada à Universidade Estadual do Ceará (UECE), analisou as experiências de 234 pessoas que se identificavam como enlutadas pela perda de familiares durante a pandemia de Covid-19. Entre os participantes, 50,4% vivenciavam o luto havia mais de um ano, enquanto 64,1% afirmaram entender que a dor não ameniza com o passar do tempo. Os resultados, referentes ao grupo pesquisado, evidenciam como a experiência da perda pode permanecer presente na vida das pessoas.

De acordo com Lucas Ledo, psicólogo e professor de Psicologia da UniFametro, o luto representa uma reorganização emocional diante da ausência de alguém significativo. Isso porque a perda não envolve apenas a ausência física, mas também a interrupção de planos, afetos, histórias e experiências compartilhadas. “Quando a gente perde uma pessoa querida, não perde só o sujeito corpo. A gente perde os planos, o afeto, a história, as experiências com essa pessoa e tudo que compartilhava junto com ela. Então, isso é uma potência de dor”, explica.

O especialista destaca que datas simbólicas, como o Dia de Finados, aniversários, Natal e outras celebrações, podem intensificar a saudade. Nesses momentos, permitir-se sentir e expressar a tristeza é parte importante do processo. “É importante a gente se permitir sentir essa dor da saudade. Não tem como não sentir”, afirma.

Entre as estratégias que podem ajudar a atravessar esses períodos estão a criação de rituais de memória, como visitar lugares significativos para a pessoa que morreu, olhar fotografias, recordar momentos felizes e conversar com familiares sobre as lembranças compartilhadas. A aproximação da rede de apoio também pode contribuir para tornar esses momentos menos difíceis. Reunir pessoas próximas e realizar atividades que tenham significado para quem partiu são algumas possibilidades de preservar as memórias afetivas.

Lucas Ledo também chama atenção para a importância de reconhecer quando o sofrimento começa a comprometer a rotina e a qualidade de vida. Embora o choro, a tristeza e a saudade sejam reações esperadas diante de uma perda significativa, alguns sinais merecem atenção, especialmente quando se tornam frequentes e intensos. Entre eles estão o isolamento social, o sentimento constante de culpa ou raiva, as alterações no sono e na alimentação, a dificuldade de retomar atividades cotidianas e a sensação de que a vida perdeu o sentido.

“Nós não podemos deixar de nos cuidar dentro desse lugar de compreensão. Se esses sintomas começam a aparecer com frequência e intensidade, procurar ajuda é o ideal”, orienta o psicólogo.

O acompanhamento psicológico pode oferecer suporte para que a pessoa compreenda e elabore a perda, desenvolvendo recursos emocionais para lidar com a ausência. No Dia de Finados, a reflexão proposta pelo especialista é que lembrar de quem partiu também pode ser uma forma de preservar os vínculos afetivos, respeitando o tempo e a maneira como cada pessoa vivencia a saudade.

É jornalista desde 2018, especialista em mídia esportiva e foi CEO/Fundador do Portal Esporte News. Atuou como jornalista na TV União, radialista na Rádio Fortaleza FM (Câmara Municipal de Fortaleza) e na Rádio Dom Bosco FM. No Portal Mix Press, é CEO/Fundador e colunista, abordando cobertura de eventos, entretenimento e muito mais! | Insta: @joaopedrosilvareal Contato comercial: joaopedro@portalmixpress.com.br

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