Como a memória afetiva influencia a arquitetura e a decoração dos ambientes da CASACOR Ceará
Uma fotografia, um livro, uma peça herdada da família ou a mesa em torno da qual as pessoas se reúnem. Na arquitetura e no design de interiores, objetos e espaços podem carregar histórias que ultrapassam sua função prática. Na CASACOR Ceará 2026, essa relação entre casa e memória afetiva aparece em projetos que valorizam os vínculos familiares, as experiências compartilhadas e os elementos que ajudam a construir a identidade de quem habita um ambiente.
Na 28ª edição da mostra, dez ambientes abordam o tema a partir de diferentes perspectivas. As propostas exploram desde a cozinha como lugar de encontro e a presença de objetos que atravessam gerações até os primeiros vínculos da infância e a maneira como lembranças pessoais podem orientar a composição dos espaços. Em comum, os projetos apresentam a casa não apenas como estrutura física, mas como cenário de experiências, relações e histórias individuais e coletivas.
Em A mesa, o Tempo, Carol Mendonça parte de um elemento central da convivência doméstica para explorar a permanência dos encontros e das lembranças. A mesa assume papel de destaque na organização do espaço, em diálogo com uma biblioteca, obras de arte e materiais que remetem à passagem do tempo.
A cozinha como lugar de construção de vínculos também orienta a Cozinha Treze – Memórias, assinada por Carolinne Rocha. O ambiente relaciona maternidade, afeto e convivência, trazendo para o centro da proposta as experiências que se desenvolvem em torno da preparação e do compartilhamento das refeições, momentos que ajudam a construir as memórias familiares.
No Estar Íntimo – Raízes de Afeto, desenvolvido pela Universidade de Fortaleza (Unifor), objetos sentimentais, fotografias e diplomas integram uma narrativa sobre a memória entre gerações. Os elementos pessoais ajudam a representar trajetórias e conquistas, aproximando a história familiar do espaço construído. A proposta evidencia como lembranças e registros podem fazer parte da decoração sem perder o significado que carregam para seus proprietários.
A presença de peças que evocam outras épocas também caracteriza a Suíte Vivenda, de Juliana Dias. O ambiente explora a nostalgia e a dimensão afetiva de objetos que parecem ter atravessado gerações. A composição estabelece uma relação entre passado e presente, mostrando como determinadas peças podem conferir identidade aos interiores e preservar referências ligadas à história de uma família.
A memória associada à trajetória pessoal e profissional aparece na Sala Raízes do Tempo, assinada por Mirian Bastos. O projeto homenageia Rogério Aguiar e estabelece conexões entre história, trabalho e identidade, com referências à trajetória do homenageado e à cidade de Marco, no Ceará, reconhecida por sua atividade no setor moveleiro. O ambiente aproxima lembranças individuais da história de uma região cuja identidade também está ligada ao trabalho e à produção local.
No Ateliê Guiomar Marinho, Tìcci Sánford utiliza tapeçarias originais e elementos que valorizam as marcas da passagem do tempo para homenagear a artista. O espaço aproxima arte e memória, atribuindo às peças um papel que vai além da função decorativa.
A relação entre identidade pessoal e ambiente doméstico é explorada na Suíte Cipó, de André Monte. Objetos pessoais, livros e obras ajudam a revelar características de quem ocupa o espaço, aproximando a composição arquitetônica das experiências e dos interesses de seu habitante. A concepção parte da ideia de que a casa também funciona como expressão individual, construída por escolhas que refletem gostos, hábitos e histórias.
Em Saborear o Tempo Deca, Roberto Pamplona Jr. apresenta a cozinha como centro da vida doméstica, reunindo referências à leitura, à música e à gastronomia. O projeto ultrapassa a função de preparar alimentos e considera as diferentes atividades que podem compartilhar esse espaço. A cozinha aparece, assim, como ambiente de convivência, no qual experiências cotidianas e encontros contribuem para a construção da memória afetiva.
Os primeiros vínculos da vida são o ponto de partida do ambiente Primeiro Mundo, de Luciana Brasileiro. A proposta aborda experiências da infância, com referências à amamentação e aos laços que começam a se formar nos primeiros anos. O espaço direciona o olhar para uma etapa fundamental da construção das relações afetivas, considerando o acolhimento e as experiências iniciais como parte da memória que acompanha o indivíduo ao longo da vida.
Já em Origem, ondas que conectam, Jander Jucá trabalha a ideia de acolhimento e afeto em diálogo com referências à cultura cearense. O projeto relaciona pertencimento e identidade cultural, aproximando a experiência de habitar um espaço das referências que conectam as pessoas ao lugar onde vivem.
A CASACOR Ceará 2026, que tem como tema Mente e Coração, reúne 35 ambientes assinados por 51 profissionais, com a participação de cerca de 140 empresas. A 28ª edição da mostra segue aberta ao público até 29 de novembro (domingo), na Rua Tibúrcio Cavalcante, 607, no bairro Meireles, em Fortaleza (CE), em um imóvel da Moura Dubeux.
Serviço
CASACOR Ceará 2026
Período de visitação: 15 de outubro a 29 de novembro de 2026
Link: https://appcasacor.com.br/
Funcionamento: terça-feira a sábado, das 16h às 22h; domingos e feriados, das 15h às 21h
15/11 – domingo: Das 15h
às 21h 20/11 – sexta-feira: Das 15h às 21h
Valores:
Entrada inteira: R$ 98
Meia-entrada: R$ 49
Passaporte: R$ 290, pessoal e intransferível, com direito à visitação livre nos dias em que a mostra estiver aberta ao público.
Professores da rede pública: entrada gratuita mediante apresentação de documento funcional.



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