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Dia do Orgasmo: mais do que prazer, um grito de liberdade, saúde e autoconhecimento

Em pleno século 21, o prazer ainda é um tema cercado de mitos, silêncios e julgamentos. Mas, neste 31 de julho, Dia do Orgasmo, é hora de mudar a forma como falamos e vivemos o que o nosso corpo sente.


Poucas palavras despertam tantas reações quanto “orgasmo”. Em alguns, ela vem com risos tímidos. Em outros, com desconforto. Em muitos, ainda com silêncio. Mas o que deveria ser um direito natural e parte da vida afetiva e sexual de todas as pessoas, ainda hoje é encarado como tabu especialmente quando se trata do prazer feminino.

O Dia do Orgasmo, celebrado mundialmente em 31 de julho, surgiu no final dos anos 1990 a partir de uma iniciativa de ativistas e profissionais de saúde que perceberam a necessidade urgente de discutir o prazer sexual de maneira mais aberta, inclusiva e livre de preconceitos. A princípio, a data surgiu na Europa como uma forma de protesto contra a desinformação sobre saúde sexual, mas acabou ganhando força em todo o mundo por uma razão simples: falar sobre orgasmo é também falar sobre saúde, autoconhecimento, autoestima, afeto e liberdade.

Ao longo da história, o prazer principalmente o das mulheres foi negado, reprimido, escondido. Enquanto a sexualidade masculina sempre foi tratada com naturalidade, a feminina foi cercada por repressão religiosa, censura moral e desinformação. Quantas gerações cresceram acreditando que o sexo era algo a ser suportado, e não vivido com prazer?

Hoje, com o avanço da ciência, do feminismo e das redes de informação, é possível ver mudanças acontecendo. Mas o caminho ainda é longo. Dados apontam que muitas mulheres ainda não conhecem o próprio corpo ou nunca chegaram ao orgasmo, enquanto homens também enfrentam pressões, bloqueios emocionais e desinformação sobre o próprio desempenho e prazer.

Foi pensando em jogar luz sobre esse tema, desmistificar tabus e oferecer informação de qualidade, que conversamos com a sexóloga Thalia Caboclo. Em uma entrevista esclarecedora, ela respondeu a perguntas que frequentemente ficam no campo do constrangimento, mas que merecem ser respondidas com naturalidade e responsabilidade.

A seguir, você confere esse bate-papo que é, acima de tudo, um convite: olhe para o seu prazer com respeito, curiosidade e liberdade.


Orgasmo: prazer com benefícios reais para o corpo e a mente

Segundo Thalia, o orgasmo vai muito além do clímax sexual. “Durante o orgasmo, o corpo libera hormônios como endorfina, ocitocina e dopamina, que contribuem para a melhora do sono, alívio de dores, redução do estresse, sensação de euforia e bem-estar. Além disso, podem até fortalecer o sistema imunológico”, explica.

Ou seja, aquele momento de pico não apenas dá prazer imediato ele também ajuda a equilibrar o organismo, reduz a ansiedade e pode até melhorar o humor e a produtividade. É saúde em forma de sensações.


Existe diferença entre o orgasmo masculino e o feminino?

Sim. E não.

A sexóloga explica que, fisiologicamente, o que mais distingue um do outro é a ejaculação, que normalmente está presente nos homens. “A principal diferença visível é que o homem geralmente ejacula, enquanto isso não acontece da mesma forma nas mulheres. Mas as sensações são bem parecidas: tremores, contrações pélvicas, sudorese e relaxamento são comuns em ambos.”

É importante ressaltar que o orgasmo feminino pode ocorrer com ou sem penetração, e muitas vezes está mais ligado à estimulação externa, como o clitóris algo ainda desconhecido por muitos.


Tabus e silêncios: por que o prazer feminino ainda é um tema delicado?

Thalia não hesita ao responder: “Por causa de crenças limitantes, influências religiosas e, principalmente, falta de educação sexual. O prazer feminino foi historicamente silenciado e reprimido.”

A repressão sexual, especialmente feminina, vem de séculos de patriarcado, normas morais e falta de espaços de escuta. Por muito tempo, a mulher foi ensinada a satisfazer, não sentir. Hoje, felizmente, o cenário vem mudando mas lentamente.

“O prazer feminino não é pecado. É direito. E reconhecer isso é libertador”, reforça.


Existe um tempo ideal para se chegar ao orgasmo?

Muita gente se pergunta se demora demais ou se é rápido demais para chegar ao clímax. Mas, segundo Thalia, não há padrão. “Cada pessoa tem o seu tempo, e o mais importante é respeitar o próprio ritmo.”

A pressa e a comparação são inimigas do prazer. A ansiedade em “atingir o orgasmo” pode fazer com que o momento perca o encanto e vire uma corrida contra o relógio. “É preciso compreender que o sexo é uma experiência, não uma meta”, completa.


Masturbação: egoísmo ou liberdade?

Durante anos, a masturbação foi tratada como algo vergonhoso, sujo ou até “errado”. Mas, na prática, ela é uma das maiores aliadas do prazer e do autoconhecimento.

“A masturbação é uma grande aliada no autoconhecimento, pois ajuda a descobrir os pontos de prazer. Em muitos casos, as pessoas terceirizam o próprio prazer, esperando que o outro adivinhe onde e como estimular. Nosso corpo é orgástico, cabe a você explorar e descobrir o que mais te dá prazer”, orienta Thalia.

Quando você conhece o próprio corpo, o orgasmo deixa de ser uma possibilidade incerta para se tornar uma consequência natural da intimidade e da liberdade.


Quem não sente orgasmo pode ser feliz sexualmente?

Surpreendentemente, sim. “O orgasmo é um fenômeno físico e mental, mas não é garantia de satisfação sexual. Muitas mulheres, por exemplo, não chegam ao orgasmo e mesmo assim se sentem satisfeitas com a relação”, explica a sexóloga.

Isso mostra que o prazer pode estar presente de várias formas, e que a satisfação sexual é subjetiva. Para algumas pessoas, é possível encontrar plenitude no toque, na troca, no vínculo afetivo, mesmo que o clímax não ocorra sempre.


Por que ainda sentimos vergonha de falar sobre o orgasmo?

A resposta está na forma como a sociedade trata a sexualidade. “Homens e mulheres têm vergonha de falar sobre o orgasmo, muitas vezes por medo de serem mal interpretados”, diz Thalia. “Mas o diálogo é a chave. Uma boa comunicação e sintonia entre o casal fazem tudo fluir melhor, com mais liberdade e prazer.”

Falar sobre sexo não é falta de pudor. É sinal de maturidade emocional, afetiva e relacional.


Sexo é saúde: o que a sociedade ainda precisa aprender sobre prazer?

Com um sorriso no rosto, Thalia solta: “Tudo!” E completa: “A sociedade precisa normalizar o prazer e entender que falar sobre sexualidade é falar sobre saúde, bem-estar e liberdade.”

Sexualidade é parte essencial da vida. E ignorar isso é deixar de cuidar de uma parte importante de si mesmo.


A base de tudo: comunicação

Em qualquer relacionamento seja casual, duradouro ou consigo mesmo o diálogo é fundamental. “Além de gerar conexão, ele cria intimidade e confiança para expressar o que se gosta e o que não se gosta sem medo ou vergonha”, pontua a especialista.

Quando há liberdade para dizer o que se sente, o sexo deixa de ser uma obrigação e se transforma em encontro: de corpos, desejos e afetos.


Neste Dia do Orgasmo, abrace a liberdade de sentir

É jornalista desde 2018, especialista em mídia esportiva e foi CEO/Fundador do Portal Esporte News. Atuou como jornalista na TV União, radialista na Rádio Fortaleza FM (Câmara Municipal de Fortaleza) e na Rádio Dom Bosco FM. No Portal Mix Press, é CEO/Fundador e colunista, abordando cobertura de eventos, entretenimento e muito mais! | Insta: @joaopedrosilvareal Contato comercial: joaopedro@portalmixpress.com.br