Energia solar avança em condomínios e amplia demanda por crédito para infraestrutura sustentável
O avanço da geração de energia solar no Brasil tem impulsionado a adoção de soluções sustentáveis em condomínios residenciais e comerciais. Nos últimos anos, síndicos e assembleias condominiais passaram a buscar alternativas para reduzir custos operacionais e adequar os empreendimentos às novas demandas de eficiência energética e mobilidade elétrica, movimento que também tem ampliado a procura por crédito especializado para viabilizar essas melhorias.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o país ultrapassou, em 2024, a marca de 50 gigawatts (GW) de potência instalada em energia solar. O crescimento é expressivo quando comparado a 2018, quando o Brasil contava com apenas 1 GW de capacidade instalada. Somente em 2024, o setor registrou a adição de 14,3 GW, o que representou cerca de R$ 54,9 bilhões em novos investimentos. A expectativa é que, em 2025, sejam acrescentados mais 13,2 GW, elevando a capacidade total para aproximadamente 64,7 GW.
Esse avanço tem refletido diretamente na realidade dos condomínios. Entre 2024 e o início de 2026, o número de empreendimentos que recorreram a financiamento para instalar sistemas de energia solar nas áreas comuns dobrou. A principal motivação tem sido a redução da taxa condominial, já que, em muitos casos, o valor do crédito é compensado pela economia gerada na conta de energia elétrica.
Paralelamente, a expansão dos veículos elétricos também tem pressionado os condomínios a investir em infraestrutura energética. As vendas de carros totalmente elétricos cresceram mais de 219% nos últimos anos, impulsionando a ampliação da rede de recarga no país. O número de eletropostos saltou de cerca de 350 em 2020 para mais de 10 mil em agosto de 2024. Em março de 2026, o Brasil já contabiliza aproximadamente 16.880 pontos de recarga, movimentando um mercado estimado em até R$ 2 bilhões.
Esse movimento vem acompanhado de novas exigências técnicas e normativas. Em 2025, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de São Paulo publicou diretrizes nacionais para a instalação segura de carregadores em garagens e subsolos, enquanto a norma técnica ABNT NBR 17019 passou a orientar os requisitos de instalações elétricas voltadas a veículos elétricos. As regulamentações restringem o uso de tomadas comuns para recarga, o que tem levado muitos condomínios a buscar financiamento para adequações estruturais.
Como resultado, a procura por crédito voltado a melhorias sustentáveis em condomínios, incluindo usinas solares e infraestrutura para eletropostos, tem crescido cerca de 45% ao ano desde 2024. Atualmente, o valor médio dos financiamentos para condomínios de médio porte gira em torno de R$ 400 mil, contemplando tanto a geração solar quanto a preparação elétrica para pontos de recarga.
Além da redução de custos operacionais, especialistas apontam que esse tipo de investimento também contribui para a valorização imobiliária. Imóveis localizados em condomínios com infraestrutura para energia solar e veículos elétricos podem alcançar valorização entre 10% e 15%.
Para Sarah Castro, diretora comercial do Cerus, instituição financeira especializada em condomínios, a tendência é que cada vez mais empreendimentos busquem soluções de financiamento para viabilizar a modernização da infraestrutura energética. “Os condomínios perceberam que investir em energia solar e infraestrutura para mobilidade elétrica deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma decisão financeira estratégica. Além da economia na conta de energia, essas melhorias aumentam a segurança das instalações e contribuem para a valorização do patrimônio dos moradores”, afirma.



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