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Rotina estruturada pode ser aliada no enfrentamento da depressão e na recuperação da qualidade de vida

Em um cenário em que a saúde mental se tornou uma das principais preocupações de saúde pública, especialistas reforçam a importância de estratégias acessíveis e integradas no enfrentamento da depressão. Entre elas, a construção de uma rotina estruturada tem ganhado destaque como ferramenta complementar no tratamento e na melhora da qualidade de vida.

Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 15,5% dos brasileiros terão depressão ao longo da vida. Em escala global, mais de 1 bilhão de pessoas convivem com transtornos mentais, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o impacto também se reflete no ambiente de trabalho: mais de meio milhão de afastamentos por saúde mental foram registrados recentemente, evidenciando a dimensão do problema.

Nesse contexto, o cuidado com a saúde mental vai além do tratamento medicamentoso. A adoção de uma rotina com hábitos saudáveis tem papel fundamental no processo de recuperação. Uma alimentação equilibrada contribui para o bom funcionamento do organismo e influencia diretamente a produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar. A prática regular de atividade física está associada à liberação de endorfina, promovendo melhora no humor e na disposição. A fisioterapia também pode ser uma aliada importante, especialmente em casos em que há dores crônicas ou limitações físicas relacionadas ao quadro depressivo.

Além disso, terapias complementares como a musicoterapia vêm sendo cada vez mais utilizadas como forma de estimular a expressão emocional, reduzir a ansiedade e promover bem-estar. Outro fator essencial é a socialização, considerada uma das principais estratégias para combater o isolamento, um dos maiores agravantes da depressão.

Para Josiane Araújo, fundadora do Clube de Terapia, a rotina tem um papel estruturante no processo de cuidado.
“A depressão muitas vezes desorganiza completamente o dia a dia do indivíduo. Criar uma rotina, ainda que simples, com horários e atividades, ajuda o paciente a retomar o senso de direção e pertencimento, que são fundamentais no processo de recuperação”, afirma.

Já Marcelo Niza, sócio do Clube de Terapia, destaca que o tratamento precisa ser visto de forma ampla e integrada.
“Não existe um único caminho. A combinação de hábitos saudáveis, acompanhamento profissional e estímulos como a socialização e terapias complementares faz toda a diferença. O corpo e a mente precisam ser cuidados juntos”, explica.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a construção de uma rotina não deve ser vista como algo rígido, mas como uma estratégia de cuidado. Pequenas mudanças, quando realizadas de forma consistente, podem gerar impactos significativos na saúde mental.

Mais do que uma organização do dia, a rotina passa a ser um instrumento de reconstrução, ajudando o indivíduo a recuperar autonomia, equilíbrio emocional e qualidade de vida.

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