Abril Azul: mais de 500 mil brasileiros acima dos 50 vivem com autismo e reforçam importância do diagnóstico tardio
O mês de abril, marcado pela campanha Abril Azul, amplia o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) para além da infância. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, mostram que o Brasil possui mais de 521 mil pessoas com autismo acima dos 50 anos, dentro de um universo de aproximadamente 2,4 milhões de brasileiros diagnosticados. O número evidencia uma realidade muitas vezes invisibilizada: o diagnóstico tardio.
Por décadas, o autismo foi pouco compreendido e frequentemente subdiagnosticado, especialmente em gerações anteriores. A falta de acesso à informação, dificuldades no sistema de saúde, limitações financeiras e emocionais das famílias, além do estigma em torno de condições neurodivergentes, estão entre os principais fatores que contribuíram para que muitos indivíduos chegassem à vida adulta sem diagnóstico.
Na maioria dos casos, o diagnóstico tardio está associado a quadros mais leves do espectro, em que não há deficiência intelectual e a pessoa consegue manter uma vida funcional e independente. Esses indivíduos, muitas vezes, desenvolvem estratégias para se adaptar socialmente ao longo da vida, o que pode mascarar características do transtorno. A busca por avaliação costuma surgir apenas na vida adulta, quando dificuldades sociais, emocionais ou comportamentais passam a ser mais percebidas.
Segundo a psicóloga e especialista da Rede Oto, Mariana Kolb, o diagnóstico, mesmo tardio, tem impacto significativo na vida dos pacientes. “Muitas pessoas chegam aos 50 anos sem compreender aspectos importantes do próprio comportamento. O diagnóstico traz clareza, reduz sentimentos de inadequação e permite que o paciente desenvolva estratégias para melhorar sua qualidade de vida e suas relações”, explica.
Entre os sinais mais comuns em adultos, estão dificuldades persistentes de interação social, comunicação mais direta, sensibilidade a estímulos e necessidade de rotinas estruturadas. Por muito tempo, essas características foram interpretadas apenas como traços de personalidade, o que contribuiu para o atraso no reconhecimento do transtorno.
Especialistas alertam ainda para os riscos do autodiagnóstico, impulsionado pela popularização de conteúdos nas redes sociais. Embora o acesso à informação ajude a ampliar o conhecimento sobre o tema, a avaliação clínica continua sendo essencial para um diagnóstico seguro, considerando histórico de vida, comportamento e contexto social do paciente. Além disso, através da avaliação clínica passa a ser essencial para o diagnóstico seguro, ajudando a orientar o manejo mais adequado e intervenções personalizadas a cada paciente.
O Abril Azul reforça que o autismo não tem idade para ser identificado e que o acesso ao diagnóstico, mesmo na vida adulta, é fundamental para promover bem-estar, autonomia e inclusão. Reconhecer o TEA em diferentes fases da vida é um passo importante para garantir cuidado adequado e qualidade de vida para milhares de brasileiros.



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