×

Atrasos salariais, insegurança e sobrecarga expõem desafios da Atenção Primária à Saúde em Fortaleza

A Atenção Primária à Saúde de Fortaleza enfrenta uma série de desafios que têm impactado tanto os profissionais quanto a população atendida nas unidades básicas do município. Entre os problemas relatados, estão atrasos no pagamento de médicos vinculados ao Programa Mais Médicos pelo Brasil, episódios de violência em postos de saúde, deficiência estrutural e sobrecarga de trabalho das equipes.

Os profissionais do Programa Mais Médicos pelo Brasil que atuam na rede municipal seguem com o pagamento da contrapartida financeira da Prefeitura em atraso desde abril deste ano. De acordo com informações recebidas pelo Sindicato dos Médicos do Ceará, o último repasse foi efetuado em 28 de abril, referente à competência de março.

Diante da situação, o Sindicato encaminhou, na última sexta-feira (10), um ofício à Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS) solicitando uma previsão concreta para a regularização dos valores devidos, além de esclarecimentos sobre as medidas que serão adotadas para evitar novos atrasos.

De acordo com o Sindicato dos Médicos, a contrapartida paga pelo município integra a remuneração dos profissionais do programa, e sua interrupção gera impactos diretos na vida dos médicos. “Trata-se de uma verba de natureza alimentar e sua inadimplência traz prejuízos significativos aos profissionais, que dependem desses recursos para honrar seus compromissos financeiros”, destaca o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Dr. Edmar Fernandes.

Além da questão salarial, denúncias recebidas pelo Sindicato revelam um cenário preocupante no Posto de Saúde João Medeiros de Lima, localizado no bairro Vila Velha. Profissionais relataram episódios recorrentes de violência, ameaças e discussões dentro da unidade, situações que já demandaram, inclusive, a intervenção da Polícia Militar.

De acordo com os relatos, médicos e uma funcionária da farmácia precisaram se afastar temporariamente de suas atividades devido a abalos psicológicos decorrentes do ambiente de trabalho. A ausência de segurança permanente na unidade é apontada como um dos fatores que contribuem para a repetição dos episódios. Ainda segundo a denúncia, um pedido para disponibilização de uma viatura fixa da Guarda Municipal teria sido negado sob a justificativa de impossibilidade de atendimento exclusivo a uma única unidade de saúde.

Os problemas também se estendem à infraestrutura. Uma impressora utilizada nos atendimentos médicos está com defeito há cerca de um mês e, mesmo após sucessivos reparos, continua sem funcionar adequadamente. A situação obriga os profissionais a utilizarem equipamentos de outras salas, comprometendo o fluxo dos atendimentos e a privacidade dos pacientes.

Outro desafio apontado é a sobrecarga das equipes. A alta demanda por atendimento, associada à escassez de profissionais, tem levado médicos a realizarem consultas sem o suporte da enfermagem. Além disso, a unidade já não possui vagas disponíveis para consultas eletivas até o próximo ano, aumentando a pressão diária sobre os trabalhadores e dificultando o acesso da população aos serviços.

Em ofício encaminhado à SMS, o Sindicato dos Médicos solicitou medidas urgentes para reforçar a segurança da unidade, incluindo a avaliação da presença fixa ou periódica da Guarda Municipal e a criação de protocolos de resposta rápida para situações de ameaça e violência. A entidade também cobra a substituição definitiva da impressora defeituosa, a revisão do dimensionamento da equipe, a disponibilização de profissionais de enfermagem para apoio aos atendimentos, a análise da lotação de mais médicos e a reorganização da agenda de consultas.

Para Dr. Edmar, os problemas enfrentados refletem dificuldades estruturais que afetam diretamente a qualidade da assistência oferecida à população. “A manutenção de profissionais de saúde em ambiente inseguro, sem estrutura mínima e sob sobrecarga permanente compromete não apenas a saúde e a dignidade dos trabalhadores, mas também a qualidade da assistência prestada à população”, afirma o presidente do Sindicato.

É jornalista desde 2018, especialista em mídia esportiva e foi CEO/Fundador do Portal Esporte News. Atuou como jornalista na TV União, radialista na Rádio Fortaleza FM (Câmara Municipal de Fortaleza) e na Rádio Dom Bosco FM. No Portal Mix Press, é CEO/Fundador e colunista, abordando cobertura de eventos, entretenimento e muito mais! | Insta: @joaopedrosilvareal Contato comercial: joaopedro@portalmixpress.com.br

Publicar comentário