Câncer de mama também afeta homens, especialista alerta para a importância do diagnóstico precoce
O mês de outubro é mundialmente conhecido pelas campanhas de conscientização sobre o câncer de mama, mas o que muitos não sabem é que a doença não é exclusiva das mulheres. O câncer de mama também atinge os homens, e o diagnóstico masculino esbarra em um obstáculo perigoso: a falta de conhecimento sobre a doença e a resistência em realizar exames periódicos. Com o objetivo de quebrar esses preconceitos, o Centro Regional Integrado de Oncologia (CRIO) alerta o público masculino sobre a importância de buscar ajuda médica ao notar qualquer alteração peitoral.
Embora raro, o câncer de mama em homens é uma realidade. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença no público masculino representa cerca de 1% do total de casos no Brasil. Apesar da baixa incidência, a mortalidade é um fator de atenção: dados do INCA apontam que, em 2020, o país registrou 207 óbitos de homens em decorrência do tumor. O grande perigo está no diagnóstico tardio, que ocorre, na maioria das vezes, porque os homens desconhecem a possibilidade de desenvolver a doença e ignoram os sinais iniciais.
O caminho para o diagnóstico do câncer de mama no homem segue os mesmos protocolos aplicados às mulheres, começando sempre pela avaliação clínica. Durante a consulta, o mastologista ou oncologista realiza a palpação cuidadosa da região peitoral e das axilas em busca de nódulos, inchaços ou retrações na pele. Caso identifique alguma alteração suspeita, o paciente é encaminhado para exames de imagem, como a ultrassonografia mamária ou a própria mamografia. Se as imagens indicarem uma lesão preocupante, o diagnóstico final é confirmado por meio de uma biópsia, onde um pequeno fragmento do nódulo é retirado para análise laboratorial.
“Existe um estigma muito forte de que o homem não tem glândula mamária ou não pode ter câncer de mama. Por isso, quando um nódulo aparece, ele geralmente é ignorado. Precisamos orientar os homens a ficarem atentos a sinais como nódulos endurecidos e indolores atrás do mamilo, retração da pele, secreção e inchaço nas axilas. O diagnóstico precoce é o que garante as maiores chances de cura”, explica o Dr. José Vilar, mastologista do CRIO.
O atraso no diagnóstico do câncer de mama masculino é um reflexo direto de um problema cultural muito maior: a negligência com a saúde do homem. Historicamente, o público masculino frequenta menos os consultórios médicos e hesita em realizar exames preventivos.
Ao levantar essa discussão nos últimos dias do Outubro Rosa, o CRIO cria uma ponte direta com o Novembro Azul, mês dedicado à saúde do homem e ao combate do câncer de próstata. A mensagem da instituição é clara: o autocuidado, a observação do próprio corpo e a realização de exames preventivos não têm gênero. Quebrar o tabu e o machismo estrutural que afastam os homens dos consultórios médicos é o primeiro passo para reverter as estatísticas de mortalidade precoce.



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