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Estudo aponta que até 79,7% dos estudantes no Brasil apresentam alterações posturais; especialistas alertam para uso excessivo de telas

Alterações posturais entre crianças e adolescentes têm se consolidado como um tema relevante na área da saúde no Brasil. Estudo publicado na Universidade Guarulhos (UNG) indica que até 79,7% dos estudantes em idade escolar apresentam algum tipo de desvio postural, evidenciando a alta prevalência do problema no país.

A pesquisa, baseada em revisão de literatura científica nacional e internacional, aponta que os principais desvios estão relacionados à coluna vertebral, como hiperlordose, escoliose e hipercifose, com ocorrência já nas fases iniciais do desenvolvimento. Os dados reforçam que uma parcela significativa dos estudantes apresenta alterações ainda na infância ou adolescência, período determinante para a formação estrutural do corpo.

Outras evidências científicas corroboram esse cenário. Estudo publicado na Revista Paulista de Pediatria, com participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também identificou prevalência de alterações posturais próxima a 79,7% entre crianças e adolescentes, associando o quadro a hábitos cotidianos inadequados, como postura incorreta ao sentar e baixos níveis de atividade física. Já uma revisão sistemática publicada no Journal of Human Growth and Development, que analisou 29 estudos brasileiros, aponta alta frequência de desvios posturais em escolares, ainda que com variações metodológicas entre as pesquisas.

Para a terapeuta ocupacional e especialista em neuropediatria Eneida Lustosa, o aumento desses índices está diretamente relacionado a mudanças comportamentais, especialmente ao uso prolongado de dispositivos eletrônicos. “O tempo excessivo diante de telas, frequentemente associado a posturas inadequadas, contribui para a adoção de padrões repetitivos que podem desencadear alterações posturais. Sem intervenção, esses quadros tendem a evoluir para dores persistentes e limitações funcionais ao longo da vida”, explica.

Entre os principais problemas observados estão dores na coluna ainda na infância, hipercifose, caracterizada por postura curvada, desalinhamento de ombros e pescoço, além de casos iniciais de escoliose. Fatores como sedentarismo, mobiliário inadequado e ausência de pausas durante atividades prolongadas também contribuem para o agravamento do quadro. Há, ainda, associação com hábitos cotidianos, como a forma de sentar e o transporte inadequado de mochilas.

Diante desse contexto, especialistas defendem a ampliação de ações preventivas e de educação em saúde desde os primeiros anos de vida escolar. Com esse objetivo, Eneida Lustosa desenvolveu o livro infantil História da Coluninha Vertebral, que propõe uma abordagem lúdica para estimular o autocuidado e a consciência corporal entre crianças.

“A construção de hábitos saudáveis passa pelo acesso à informação. Quando a criança compreende o funcionamento do próprio corpo, tende a adotar comportamentos mais adequados no dia a dia, processo que envolve também a participação ativa da família e da escola”, destaca a especialista.

O avanço dos dados e a convergência de estudos nacionais indicam a necessidade de atenção contínua ao tema, considerando seus impactos na saúde física, no desenvolvimento, no desempenho escolar e na qualidade de vida de crianças e adolescentes.

É jornalista desde 2018, especialista em mídia esportiva e foi CEO/Fundador do Portal Esporte News. Atuou como jornalista na TV União, radialista na Rádio Fortaleza FM (Câmara Municipal de Fortaleza) e na Rádio Dom Bosco FM. No Portal Mix Press, é CEO/Fundador e colunista, abordando cobertura de eventos, entretenimento e muito mais! | Insta: @joaopedrosilvareal Contato comercial: joaopedro@portalmixpress.com.br

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