Festival Azágua da Mazé une cultura, geração de renda e resistência ancestral no Grande Bom Jardim
O Grande Bom Jardim, em Fortaleza, recebe nos dias 15 e 16 de maio a terceira edição do Festival de Artes Ancestrais – Azágua da Mazé, iniciativa que articula cultura, formação e geração de renda a partir dos saberes dos povos de terreiro. Promovido pelo Centro Espírita de Umbanda Zé Pilintra das Almas, o evento amplia sua atuação em 2026 ao incorporar oficinas voltadas ao afroempreendedorismo, além de uma programação cultural diversa.
Reconhecida como uma das regiões com maior concentração de terreiros no Ceará — formada pelos bairros Bom Jardim, Granja Lisboa, Granja Portugal, Canindezinho e Siqueira —, a região se consolida como um dos principais pólos de preservação da cultura afro-brasileira no estado. Nesse contexto, o festival se firma como ferramenta de fortalecimento comunitário e valorização identitária.
Mais do que um evento cultural, o Azágua da Mazé propõe a integração entre práticas artísticas, formação técnica e economia criativa, criando oportunidades concretas de geração de renda na periferia.
“O festival é um momento de celebração, mas também de construção coletiva. As oficinas ampliam possibilidades de renda e mantêm vivos os saberes que estruturam nossa comunidade”, destaca a organização.
Cultura ancestral como resistência
O nome “Azágua da Mazé” reverência à ancestralidade e os povos de terreiro — catimbozeiros e praticantes das religiões afro-brasileiras — responsáveis por sustentar historicamente a produção cultural do território. A homenagem faz referência à memória de Maria José, figura central na espiritualidade da casa.
O projeto também atua no enfrentamento à intolerância religiosa, utilizando a arte como ferramenta de afirmação identitária e valorização da estética afro-diaspórica. Contemplado pelo 4º Edital de Apoio a Territórios Periféricos, o festival reforça o papel das políticas públicas no incentivo a iniciativas culturais de base comunitária.
Programação valoriza diversidade de expressões culturais
A programação artística reúne diferentes linguagens e coletivos que representam a força da cultura afro-brasileira e periférica.
Na sexta-feira (15), a Banda Pé de Mato apresenta uma fusão entre reggae roots e ritmos afro-brasileiros, associando musicalidade e crítica social. Também se apresenta o coletivo Brincantes Sonoros, referência no Grande Bom Jardim por seu trabalho com percussão e folguedos populares como reisado, maracatu e coco.
No sábado (16), o espetáculo “Fuxica e Tetel – Saudando o riso alheio” leva ao público uma proposta lúdica e itinerante, construída a partir de experiências em escolas, centros culturais e projetos sociais da capital.
Com o mesmo protagonismo na programação, o grupo Mais Melanina leva ao festival o samba como expressão de resistência e valorização da cultura negra periférica em Fortaleza, conectando tradição e identidade em suas apresentações.
Já o movimento Tocada Boa reforça a retomada do coco de roda no território, promovendo encontros culturais que resgatam práticas populares e fortalecem vínculos comunitários por meio da música e da dança.
Outro destaque é o Grupo Cultural Toque de Senzala, que desde 2008 desenvolve pesquisas e apresentações centradas no batuque dos tambores, no canto e na dança de matrizes africanas. O grupo evidencia o tambor como elemento fundante da cultura afro-brasileira e leva ao público espetáculos que dialogam com memória, espiritualidade e identidade, como a “Louvação às Caboclas de Pena”.
Acessibilidade
Toda a programação contará com intérpretes de Libras, garantindo inclusão e acesso para pessoas surdas.
SERVIÇO
III Festival de Artes Ancestrais – Azágua da Mazé
Quando: 15 e 16 de maio de 2026
Horário: partir das 18h
Onde: Rua Medelim, 2914 – Grande Bom Jardim (Associação Espírita de Umbanda São Miguel)
Acessibilidade: Intérpretes de Libras em toda a programação



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