Fim da escala 6×1 pode elevar custos em condomínios em até 15%, estima Adconce
O fim da escala 6×1 pode pressionar os custos dos condomínios e levar a reajustes nas taxas pagas pelos moradores. Segundo George Melo, presidente da Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Ceará (Adconce), a necessidade de reorganizar equipes para manter serviços como portaria e vigilância 24 horas pode elevar em até 15% as despesas com pessoal nos empreendimentos que possuem funcionários próprios. O impacto varia conforme o porte do condomínio, o modelo de contratação e as escalas adotadas.
Promulgada em outubro de 2026, a Emenda Constitucional nº 141 estabelece a redução gradual da jornada de trabalho, sem diminuição salarial, e a ampliação do descanso semanal. A primeira etapa prevê jornada de 42 horas semanais e dois dias de descanso, com implementação prevista para dezembro de 2026. A redução para 40 horas semanais está prevista para o fim de 2027.
Otávio Pinheiro, advogado e diretor jurídico da Adconce, reforça que a mudança se aplica aos trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo porteiros, zeladores, faxineiros e auxiliares de manutenção. A regra também alcança os profissionais de empresas terceirizadas que prestam serviços aos condomínios, o que pode resultar em reajustes ou revisões contratuais.
Portaria e vigilância concentram desafios
A portaria e a vigilância estão entre os serviços que exigem maior planejamento, por funcionarem continuamente. George Melo explica que, no modelo de jornadas de oito horas, a cobertura de um posto durante as 24 horas costuma exigir quatro profissionais, incluindo um folguista. Com as novas regras, os condomínios podem precisar ampliar as equipes, elevando os gastos com pessoal.
Flávio Patrício, diretor do Grupo Viper, empresa que atua com mão de obra e segurança patrimonial, explica que os impactos da mudança nos serviços terceirizados variam conforme a escala adotada. Nos postos que operam em 6×1, predominante entre profissionais de limpeza, mas também presente na portaria e vigilância, será necessária uma adaptação já na primeira etapa, com a garantia de dois dias de descanso semanal remunerado.
Já na escala 12×36, comum nas equipes de portaria, a redução inicial para 42 horas semanais não deve exigir, por si só, uma alteração imediata no regime. A adequação poderá se tornar necessária na etapa seguinte, quando o limite cair para 40 horas, com possíveis reflexos nos custos dos postos. A manutenção de regimes diferenciados dependerá da observância das condições legais e da negociação coletiva aplicável.
Em atividades como limpeza e zeladoria, a adaptação pode envolver a redistribuição de tarefas e a revisão da frequência dos serviços. Cada condomínio precisará avaliar quais atividades são indispensáveis diariamente e quais podem ser reorganizadas, considerando as necessidades dos moradores e as condições de trabalho dos profissionais.
Terceirização e tecnologia entram no planejamento
A contratação de empresas terceirizadas é uma alternativa para administrar escalas e garantir a continuidade dos serviços. Nesse modelo, a organização das equipes fica sob responsabilidade da prestadora, mas os custos decorrentes da adequação à nova jornada podem ser repassados aos condomínios por meio de reajustes ou revisões contratuais. Para os empreendimentos que já adotam a terceirização, será necessário avaliar os impactos conforme as particularidades de cada atividade.
George Melo avalia que a redução da jornada pode ampliar a procura por alternativas como a portaria remota e o modelo híbrido, que combina atendimento presencial e monitoramento a distância. Nesse segmento, a GVP Tecnologia, do Grupo Viper, já atua com soluções de monitoramento remoto. Flávio Patrício aponta que, embora a mudança na escala de trabalho seja recente, o tema já tem despertado maior interesse por esse tipo de serviço, tendência que pode se intensificar diante da necessidade de conciliar a segurança com o controle de custos.
Planejamento financeiro e jurídico
A mudança exigirá que síndicos e administradoras revisem as escalas de trabalho, identifiquem os postos que precisarão de cobertura adicional e simulem os efeitos financeiros da nova jornada. A preparação também envolve analisar os contratos com empresas terceirizadas e avaliar a necessidade de submeter ajustes orçamentários às assembleias condominiais.
Otávio Pinheiro destaca que as administradoras terão papel importante nesse processo, auxiliando os síndicos na revisão contratual, na projeção dos impactos sobre as taxas condominiais e na preparação das assembleias que precisarão deliberar sobre eventuais reajustes. O planejamento antecipado será especialmente importante diante da proximidade da primeira etapa da mudança.



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