Flexibilização do crédito imobiliário amplia procura por imóveis com entrega rápida no Ceará
A recente decisão do Santander de ampliar para até 90% o financiamento imobiliário reacendeu o debate sobre o acesso ao crédito habitacional no Brasil e já começa a impactar o comportamento de consumidores e incorporadoras no Ceará. O movimento é visto pelo mercado como um dos mais relevantes dos últimos anos no setor imobiliário, ao reduzir a entrada mínima exigida para aquisição de imóveis e ampliar o potencial de compra das famílias.
Na prática, a nova política permite que compradores financiem até 90% do valor do imóvel, diminuindo a necessidade de capital inicial e aproximando o mercado brasileiro de modelos internacionais de crédito habitacional, mais comuns em países da Europa e nos Estados Unidos.
Segundo especialistas do setor, a mudança tende a beneficiar especialmente imóveis prontos ou com entrega próxima, já que muitos consumidores querem aproveitar as condições atuais antes de possíveis mudanças no cenário econômico e nas políticas de crédito.
Além do Santander, outras instituições financeiras também começaram a intensificar movimentos de competitividade no crédito imobiliário. O Banco Inter, por exemplo, ampliou campanhas com taxas bonificadas, reforçou operações de portabilidade e vem posicionando o financiamento habitacional como uma das áreas estratégicas de crescimento da instituição. O movimento é visto pelo mercado como um indicativo de maior disputa por clientes nos próximos meses.
De acordo com Carlise Antoneli, especialista no mercado imobiliário e diretora de operações da Pramorar Brasil, o movimento representa uma nova janela de oportunidade para compradores que estavam fora do mercado.
“A redução da entrada muda completamente a capacidade de compra da família brasileira. Muitas pessoas conseguiam pagar uma parcela de financiamento, mas não conseguiam formar a entrada exigida pelos bancos. Quando o mercado flexibiliza isso, há um impacto imediato na procura”, afirma.
A incorporadora já percebe aumento no interesse por empreendimentos com possibilidade de ocupação mais rápida, como o OASY, no Guararapes em Fortaleza, que será entregue em 2027, e o Bella Meireles, empreendimento recentemente entregue pela empresa que foi totalmente comercializado, o que vai de encontro ao aquecimento do mercado.
Segundo Carlise, imóveis próximos da entrega ganham atratividade em momentos de maior acesso ao crédito porque reduzem o tempo entre a contratação do financiamento e a utilização efetiva do imóvel.
“O consumidor hoje, além de observar o valor da parcela, também analisa o tempo necessário para ocupar o imóvel. Empreendimentos em estágio avançado de obra acabam se tornando estratégicos nesse cenário”, destaca.
Ainda de acordo com a diretora, além da flexibilização da entrada, o mercado também acompanha a ampliação da participação de bancos privados no financiamento habitacional, especialmente em modalidades ligadas ao Minha Casa Minha Vida, movimento que pode aumentar a concorrência no setor e ampliar o acesso ao crédito nos próximos anos.
“O Brasil ainda possui um mercado de crédito imobiliário pequeno diante do potencial que existe. Quando diferentes bancos começam a disputar esse mercado de forma mais agressiva, o consumidor ganha mais alternativas e o setor ganha capacidade de expansão”, avalia.
Segundo ela, o atual momento representa uma combinação importante entre queda gradual dos juros, maior competitividade bancária e demanda reprimida por moradia, cenário que tende a impulsionar o mercado imobiliário ao longo de 2026.



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