Médicos do SOPAI aprovam paralisação parcial caso salários atrasados não sejam pagos em até 72 horas
Os médicos que atuam no Hospital Sociedade de Assistência e Proteção à Infância de Fortaleza (SOPAI) aprovaram, nesta segunda-feira (6), a realização de uma paralisação parcial das atividades caso os pagamentos em atraso referentes aos meses de março, abril e maio não sejam regularizados no prazo de até 72 horas. A deliberação ocorreu durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE) promovida pelo Sindicato dos Médicos do Ceará.
Após a assembleia, o Sindicato comunicou oficialmente a decisão à direção do SOPAI e ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec). No documento, a entidade solicita a apresentação de um cronograma para regularização dos pagamentos e a recomposição das escalas médicas, com quantitativo de profissionais compatível com a demanda assistencial da unidade.
Além da inadimplência, os médicos relataram uma série de problemas enfrentados na rotina de trabalho, como insuficiência de profissionais nas escalas, alterações sem consulta prévia à equipe, ausência de comunicação institucional e utilização frequente de planos de contingência para restringir atendimentos.
O Sindicato dos Médicos ressalta que a paralisação parcial tem como objetivo chamar atenção para a gravidade da situação enfrentada pelos profissionais, sem comprometer a assistência à população. Segundo a instituição, os atrasos salariais recorrentes, a insegurança contratual e a sobrecarga de trabalho têm impactado diretamente as condições de exercício da medicina na unidade.
Pedido de fiscalização
Também nesta segunda-feira, o Sindicato encaminhou ofício ao Cremec solicitando fiscalização urgente no hospital para apurar as condições de trabalho e de assistência prestadas na unidade.
Entre os pontos apresentados, estão relatos de pressão para cobertura de plantões, ausência de suporte da coordenação diante de desfalques nas escalas, atuação de profissionais recém-formados ou inexperientes em setores de maior complexidade sem supervisão adequada e possíveis falhas no acompanhamento assistencial de pacientes pediátricos.
Os médicos também denunciaram problemas estruturais e operacionais, como falta de insumos básicos, falhas em aparelhos de ar-condicionado, ausência ou desaparecimento de livros de frequência, produtividade e ocorrência médica, além de dificuldades para formalizar intercorrências e situações de risco.
No documento enviado ao Cremec, o Sindicato solicita ainda a instauração de procedimento administrativo, com base na Resolução CFM nº 2.462/2026, para apuração dos atrasos salariais, a verificação das condições de trabalho e da suficiência das escalas médicas, além da regularidade da inscrição da pessoa jurídica junto ao Conselho e da atuação do diretor técnico responsável.
O Sindicato dos Médicos do Ceará afirma que as medidas adotadas têm como objetivo assegurar condições adequadas para o exercício da medicina, preservar a segurança dos pacientes e garantir a regularidade da assistência prestada.



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