Outubro Rosa: especialistas destacam prevenção e cuidado integral no enfrentamento ao câncer de mama
O câncer de mama exige atenção à prevenção, ao diagnóstico precoce e aos cuidados durante e após o tratamento. Durante o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a doença, especialistas do Instituto de Educação Médica (Idomed) e da Wyden destacam a importância de uma abordagem multidisciplinar, que considere não apenas os aspectos clínicos, mas também a saúde emocional e a alimentação das pacientes.
Segundo Adriel Barbi, médico oncologista e docente do Idomed, o envelhecimento é o principal fator de risco para o câncer de mama. A probabilidade de desenvolver a doença aumenta ao longo da vida, mas outros aspectos também influenciam esse cenário, como predisposição genética, histórico familiar, características reprodutivas e fatores relacionados ao estilo de vida.
“O principal fator de risco é o envelhecimento, porque a probabilidade de desenvolver câncer de mama aumenta ao longo da vida. Também precisamos considerar a influência hormonal, a história familiar e a predisposição genética”, explica o médico.
O especialista ressalta que a ausência de casos na família não elimina o risco. Embora alterações hereditárias em genes como BRCA1 e BRCA2 possam aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, muitas mulheres recebem o diagnóstico sem antecedentes familiares relevantes.
A adoção de hábitos saudáveis como a prática regular de atividade física, o controle do peso, uma alimentação equilibrada e a redução do consumo de bebidas alcoólicas podem contribuir para a redução de riscos.
Diagnóstico precoce e atenção aos sinais
O aparecimento de um nódulo na mama ou na axila, alterações na pele, inversão recente do mamilo e saída espontânea de secreção, especialmente com sangue, são sinais que merecem avaliação médica. Mudanças no formato ou no tamanho das mamas também devem ser investigadas.
“O diagnóstico precoce é importante porque nos dá a oportunidade de tratar a doença quando ela ainda está localizada na mama ou nos linfonodos regionais, aumentando as chances de cura”, afirma Adriel Barbi.
No Brasil, as recomendações para o rastreamento mamográfico variam conforme a instituição. O Ministério da Saúde recomenda o exame a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). Já a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam a mamografia anual dos 40 aos 74 anos. A partir dos 75 anos, a indicação deve considerar cada caso.
O médico também diferencia o rastreamento da investigação diagnóstica. Segundo ele, enquanto a mamografia de rastreamento busca identificar possíveis alterações em mulheres sem sintomas, a presença de sinais suspeitos exige avaliação específica, que pode incluir mamografia diagnóstica, ultrassonografia e outros exames, conforme a indicação médica.
Mulheres com histórico familiar relevante, especialmente quando há vários casos de câncer, diagnósticos em idades jovens ou antecedentes de câncer de ovário, podem precisar de avaliação individualizada e, em determinadas situações, aconselhamento genético.
Os avanços científicos também ampliaram as possibilidades de tratamento. Entre as inovações, o oncologista destaca as terapias direcionadas, a imunoterapia para grupos selecionados de pacientes e medicamentos que atuam sobre características específicas dos tumores. A identificação do subtipo e das particularidades de cada caso ajuda a orientar a escolha terapêutica.
Saúde emocional durante o tratamento
O impacto do câncer de mama não se limita às mudanças físicas. O diagnóstico pode afetar relações familiares, vida social, rotina profissional e planos para o futuro. Medo, tristeza, ansiedade e insegurança estão entre as reações possíveis, mas cada mulher vivencia esse processo de maneira particular.
Fernanda Oliveira, psicóloga e docente da Unifametro Wyden, explica que a experiência depende da história de vida, dos vínculos afetivos e dos recursos emocionais de cada paciente.
“Não existe uma única maneira de reagir a um diagnóstico de câncer de mama. Essa é uma experiência singular e pode ser influenciada pela história de vida, vínculos e suporte sociofamiliares e os próprios recursos internos de cada pessoa”, afirma.
A psicóloga destaca que reconhecer as emoções, conversar sobre os sentimentos, respeitar os próprios limites e buscar informações com a equipe de saúde são medidas que podem contribuir para a organização emocional durante o tratamento. O acompanhamento psicológico pode ser importante desde a investigação diagnóstica até o período posterior ao encerramento do tratamento.
A rede de apoio também exerce papel relevante, tanto no suporte emocional quanto nas necessidades práticas, como o acompanhamento em consultas e a divisão das tarefas cotidianas. Para Fernanda, é fundamental que familiares e amigos respeitem a autonomia da mulher, suas necessidades e seu direito de participar das decisões sobre a própria vida.
Alimentação como parte do cuidado integral
A alimentação é outro componente importante da atenção aos pacientes. Amélia Ruth, nutricionista e docente de Nutrição da Unifanor Wyden, explica que não existe um alimento isolado capaz de prevenir o câncer de mama. Entretanto, padrões alimentares equilibrados, associados a outros hábitos saudáveis, podem contribuir para a redução do risco.
Uma alimentação baseada em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas, com preferência por alimentos in natura ou minimamente processados, favorece a saúde. A especialista também recomenda limitar o consumo de bebidas alcoólicas, carnes processadas e alimentos ultraprocessados.
Durante o tratamento, os cuidados nutricionais devem considerar a terapia adotada, os efeitos colaterais e o estado nutricional de cada paciente. A ingestão adequada de proteínas e energia, a hidratação e a preservação da massa muscular são aspectos importantes para a recuperação e a manutenção da saúde.
“Nenhum alimento isolado previne a doença, mas um padrão alimentar saudável, somado a outros fatores ambientais modificáveis, como exercício físico, pode atuar na prevenção”, explica Amélia.
A nutricionista ressalta que náuseas, alterações no paladar e falta de apetite podem exigir adaptações na alimentação. Refeições menores e mais frequentes, ajustes na consistência e na temperatura dos alimentos e estratégias para aumentar o aporte nutricional podem ajudar, conforme a tolerância de cada paciente.
O controle do peso também merece atenção, mas os objetivos mudam conforme a fase do cuidado. Durante o tratamento, a prioridade é evitar a perda de peso e de massa muscular. Por isso, dietas restritivas não devem ser adotadas sem acompanhamento profissional.
A especialista alerta ainda para os riscos de dietas que prometem combater o câncer e do uso de suplementos sem orientação. Produtos considerados naturais também podem provocar efeitos adversos ou interagir com medicamentos. O acompanhamento nutricional individualizado contribui para adequar a alimentação às necessidades de cada mulher, sem substituir o tratamento oncológico.
A atuação integrada dos profissionais reforça a importância de um cuidado que considere as diferentes necessidades da paciente, da investigação diagnóstica à recuperação. No Outubro Rosa, a orientação é manter os cuidados preventivos, procurar avaliação médica diante de alterações suspeitas e buscar acompanhamento especializado sempre que necessário.



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