Qualidade em risco: Sindicato dos Médicos denuncia falhas estruturais em cursos de medicina do Ceará
O Sindicato dos Médicos do Ceará tem intensificado a fiscalização das condições estruturais e pedagógicas dos cursos de medicina no Estado após denúncias envolvendo deficiência de campos de prática, insuficiência de docentes e precariedade na infraestrutura acadêmica. As irregularidades apontadas atingem a Universidade Regional do Cariri (URCA), a Faculdade de Ciências da Saúde do Sertão Central (FACISC) e a Faculdade de Educação e Ciências Integradas de Crateús (FAEC).
Na última quarta-feira (22), a entidade oficiou a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (SECITECE) solicitando providências urgentes diante das desconformidades identificadas no curso de medicina da URCA. O documento foi fundamentado em manifestação administrativa e em dossiê elaborado pelo Centro Acadêmico de Medicina da instituição.
Segundo o Sindicato, os relatos apontam insuficiência do corpo docente, predominância de vínculos temporários, carência de especialistas e fragilidade nos cenários de prática, incluindo superlotação em unidades de saúde e restrição de acesso a hospitais e campos clínicos. Também foram denunciadas falhas estruturais, como laboratórios desabastecidos, equipamentos insuficientes, infiltrações, ausência de insumos e deficiência das condições mínimas de ensino.
A entidade afirma que problemas semelhantes também foram identificados na FACISC e na FAEC. No Sertão Central, representantes do Sindicato estiveram, na última terça-feira (28), no Hospital Regional do Sertão Central e na FACISC para dialogar com médicos e estudantes sobre a situação da preceptoria e do acesso às aulas práticas.
Ainda na última semana, durante reunião com a secretária da Saúde do Ceará, Dra. Tânia Mara, o Sindicato apresentou as demandas relacionadas à formação médica e à ampliação dos campos de prática. Segundo a entidade, a Secretaria sinalizou a possibilidade de mediação de convênios com hospitais regionais para garantir o acesso dos estudantes às aulas práticas, além de discutir medidas de incentivo à fixação de docentes e realização de concursos públicos.
No Cariri, o Sindicato já havia recebido denúncias relacionadas às condições de formação médica na região, incluindo relatos envolvendo a IDOMED, reforçando a preocupação da entidade com a qualidade do ensino ofertado e a disponibilidade de campos de prática adequados para os estudantes.

Publicar comentário