Sindicato dos Médicos cobra ações imediatas sobre falhas estruturais no curso de Medicina da URCA
O Sindicato dos Médicos do Ceará formalizou, na última quarta-feira (22), um pedido de providências urgentes à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (SECITECE) diante de irregularidades identificadas no curso de Medicina da Universidade Regional do Cariri (URCA). A solicitação reforça a preocupação com a qualidade da formação médica na região e seus impactos na assistência à saúde.
O posicionamento da entidade tem como base documentação já protocolada em manifestação administrativa, além de um dossiê técnico elaborado pelo Centro Acadêmico de Medicina. Os registros indicam divergências entre o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e as condições efetivamente ofertadas aos estudantes, com reflexos diretos no processo de formação e no atendimento à população.
Entre os principais pontos apontados está a insuficiência do corpo docente. O cenário é marcado pela predominância de vínculos temporários, número reduzido de professores efetivos e ausência de especialistas em áreas estratégicas. A situação compromete a continuidade pedagógica, limita a oferta de preceptoria qualificada e evidencia discrepâncias em relação ao que está previsto no PPC.
Também foram relatadas fragilidades nos campos de prática. Há restrições de acesso a unidades hospitalares e clínicas, ausência ou inoperância de convênios essenciais e superlotação em serviços de Atenção Primária. Em alguns casos, há registro de até 10 estudantes por preceptor em um mesmo consultório, condição considerada incompatível com uma formação clínica adequada e com as diretrizes nacionais para o curso de Medicina.
No aspecto estrutural, os documentos apontam deficiências relevantes, como laboratórios desabastecidos, equipamentos insuficientes, salas inadequadas, infiltrações, falhas de climatização e ausência de insumos básicos. As condições descritas estão em desacordo com a estrutura prevista no projeto pedagógico.
Outro ponto de atenção é o funcionamento do Centro Integrado de Assistência à Saúde da Família (CIASF), previsto como unidade de referência do curso, mas que atualmente opera de forma reduzida e sem a capacidade assistencial e formativa originalmente estabelecida. O Centro de Parto Normal (CPN), também previsto, ainda não foi implantado, assim como os programas de residência médica planejados.
Diante do cenário, o Sindicato solicita a apuração imediata das irregularidades e a apresentação de um relatório técnico atualizado, com informações detalhadas sobre o quadro docente, especialidades disponíveis, campos de prática, condições estruturais e o estágio de implementação dos equipamentos previstos.
A entidade também requer a adoção de medidas emergenciais, incluindo a recomposição do corpo docente, a ampliação e regularização dos convênios hospitalares e assistenciais, especialmente em áreas como clínica médica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, e a reestruturação dos espaços físicos de ensino e prática.
Por fim, o Sindicato dos Médicos do Ceará solicita a apresentação de um cronograma formal para cumprimento do PPC, com definição de metas, prazos e responsáveis, permitindo o acompanhamento das ações. A entidade informa que seguirá monitorando o caso e adotando as medidas necessárias para garantir condições adequadas de formação médica na região.



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