Tecnologia ganha espaço na gestão condominial e amplia debate sobre segurança e redução de custos
A tecnologia vem transformando a gestão dos condomínios brasileiros, com soluções voltadas ao controle de acesso, à comunicação com moradores e ao acompanhamento das despesas. Portarias remotas, aplicativos, reconhecimento facial e sistemas digitais de administração estão entre as ferramentas que podem tornar processos mais ágeis, mas a adoção exige planejamento, avaliação de custos e atenção à segurança das informações.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE), mais de 14 mil condomínios no país já utilizam portaria remota. O Panorama 2024/2025 da entidade também aponta que o setor brasileiro de segurança eletrônica faturou R$ 14 bilhões em 2024, crescimento de 16,1% em relação ao ano anterior. Os números indicam a expansão desse mercado, embora não representem, isoladamente, a adoção de tecnologia em todas as áreas da administração condominial.
Para George Melo, presidente da Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Ceará (Adconce), a incorporação dessas ferramentas precisa estar alinhada às necessidades de cada empreendimento. A escolha de uma solução deve considerar o perfil dos moradores, a estrutura física, os procedimentos de segurança e a capacidade financeira do condomínio.
Tecnologia exige planejamento e capacitação profissional
Na área de segurança, a portaria remota permite que o controle de entradas e saídas seja realizado por uma central de monitoramento, enquanto aplicativos podem facilitar a autorização de visitantes, o registro de ocorrências e a comunicação entre moradores, síndicos e administradoras. Sistemas de gestão também podem auxiliar no acompanhamento de receitas, despesas, contratos e manutenções.
Apesar das possibilidades, a tecnologia não elimina a necessidade de procedimentos bem definidos. A administração precisa avaliar como serão tratados eventuais problemas de conexão, quedas de energia, falhas nos equipamentos e situações que exijam atendimento presencial. Também é importante verificar as condições contratuais, o suporte técnico oferecido e os custos de manutenção das soluções.
“A tecnologia pode contribuir para uma gestão mais organizada, mas sua implantação precisa ser acompanhada de planejamento. Antes de contratar uma solução, é necessário avaliar as necessidades do condomínio, os custos envolvidos e os procedimentos que serão adotados para garantir a segurança dos moradores e a continuidade dos serviços”, afirma George Melo.
A adaptação às novas ferramentas também depende da preparação dos profissionais que atuam nos condomínios. Porteiros, controladores de acesso e outros trabalhadores terceirizados precisam conhecer os equipamentos e os procedimentos adotados para que os recursos tecnológicos sejam utilizados de forma adequada.
Para Flávio Patrício, diretor do Grupo Viper, empresa especializada em serviços terceirizados e segurança condominial, a adoção de novas tecnologias nos condomínios precisa caminhar junto com a capacitação dos profissionais que atuam nesses espaços. “Não basta instalar equipamentos modernos ou implantar sistemas digitais se as equipes não estiverem preparadas para utilizá-los corretamente”, ressalta.
Ele destaca que o treinamento da mão de obra terceirizada é fundamental para garantir que porteiros, controladores de acesso e outros profissionais compreendam os procedimentos, saibam operar os recursos disponíveis e estejam preparados para agir diante de imprevistos. “A tecnologia é uma aliada da segurança, mas são as pessoas qualificadas que garantem seu uso adequado no dia a dia”, afirma.
Proteção de dados também deve ser prioridade
Outro ponto importante é a proteção das informações pessoais. Cadastros de moradores, registros de visitantes, imagens de câmeras e dados utilizados em sistemas de identificação exigem cuidados no armazenamento, no acesso e no compartilhamento.
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018) estabelece regras para o tratamento de informações pessoais. Dados biométricos vinculados a uma pessoa natural, como os utilizados no reconhecimento facial, são classificados como dados pessoais sensíveis e recebem proteção específica pela legislação.
Por isso, antes de implantar essas ferramentas, síndicos e administradoras devem verificar quais informações serão coletadas, para quais finalidades serão utilizadas, quem terá acesso aos registros e quais medidas de segurança serão adotadas. A contratação de fornecedores também deve considerar as responsabilidades relacionadas ao tratamento e à proteção dos dados.
Para a Adconce, acompanhar a evolução tecnológica faz parte dos desafios da gestão condominial contemporânea. A adoção responsável dessas soluções, associada à qualificação dos gestores e dos profissionais terceirizados, à transparência e à definição de procedimentos, pode contribuir para uma administração mais eficiente e alinhada às necessidades de cada comunidade.



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