Uso de anti-inflamatórios sem indicação médica e pode causar danos graves à saúde
Ao sentir dor de cabeça, desconforto muscular, febre ou dor nas costas após um dia cansativo, muitos brasileiros automaticamente recorrem ao uso de anti-inflamatórios. Na grande maioria das vezes, tomam sem prescrição médica, apenas por serem facilmente encontrados em farmácias e conhecidos pelo efeito rápido. Segundo pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), cerca de nove em cada 10 brasileiros tomam medicamentos por conta própria, e uma fatia desses remédios pertence ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno. Porém, o uso inadequado dessas substâncias pode provocar consequências graves ao organismo.
O clínico geral e docente do Instituto de Educação Médica (Idomed), Dantas Júnior, explica que os anti-inflamatórios atuam reduzindo substâncias ligadas ao processo inflamatório e à dor. “A questão é que a ação desses medicamentos também interfere em mecanismos importantes de proteção do estômago, dos rins e da circulação sanguínea. Em pacientes hipertensos, diabéticos, idosos ou com histórico de problemas cardíacos e que fazem uso indiscriminado de anti-inflamatórios, os riscos são maiores”.
Segundo o especialista, o consumo frequente e sem prescrição médica pode mascarar doenças importantes e gerar complicações silenciosas. “Muitas pessoas enxergam os anti-inflamatórios como medicamentos simples, mas eles podem causar desde gastrite e sangramentos intestinais até insuficiência renal e aumento do risco cardiovascular”, explica. Outro ponto de preocupação é o uso prolongado dessas substâncias.
Dr. Dantas Júnior destaca que as pessoas passam várias semanas utilizando anti-inflamatórios para dores crônicas e não buscam uma consulta médica para investigar a origem do problema. “Dores persistentes podem indicar doenças ortopédicas, inflamatórias, infecciosas e até tumores, que acabam tendo o diagnóstico atrasado pelo alívio momentâneo dos sintomas proporcionado pelos anti-inflamatórios”, observa o médico alertando que a recomendação é evitar o uso frequente sem avaliação médica. “O medicamento deve ser encarado como parte de um tratamento e não como solução automática para o desconforto. Quando a dor se repete, o mais importante é investigar a causa”, afirma o clínico.



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