Iluminação e bem-estar: como a exposição à luz interfere no sono e no comportamento
Para muito além de um elemento funcional ou decorativo, a iluminação de um ambiente influencia a forma como o organismo das pessoas percebe o tempo e organiza as suas atividades. A luz é um dos principais sinais utilizados pelo cérebro para regular o relógio biológico, interferindo no estado de alerta, no ciclo de sono, na vigília e até em aspectos relacionados ao humor, sentimentos e ao bem-estar.
Segundo o psicólogo e docente do Instituto de Educação Médica (Idomed), Hiure Gomes, a influência da iluminação sobre o comportamento humano está diretamente relacionada à maneira como o cérebro interpreta os estímulos do ambiente. “Durante o dia, principalmente com uma boa exposição à luz natural, o cérebro recebe sinais de que é hora de estar desperto e ativo. À noite, ocorre o contrário: o organismo precisa perceber uma redução da luminosidade para começar a se preparar para o sono”, explica.
Sobre a interação das luzes com o humor e bem-estar das pessoas, Hiure Sousa destaca que os efeitos dependem de fatores como intensidade, horário e tempo de exposição, além das características da própria luz. A diferença entre a chamada luz branca e amarela também merece atenção. As tonalidades mais quentes, conhecidas como amarelas, costumam apresentar temperaturas de cor entre 2.700 e 3.000 Kelvin. Já as luzes brancas ou neutras possuem temperaturas mais elevadas e podem ser mais adequadas para atividades que exigem atenção.
Iluminação natural
A recomendação do especialista é que durante o dia, deve-se aproveitar ao máximo a iluminação natural. Ele explica que em locais de estudo e trabalho, uma iluminação neutra ou branca, sem excesso de ofuscamento, contribui para a manutenção do estado de alerta e para a realização das atividades. “À noite, o ideal é diminuir progressivamente a quantidade e a intensidade da luz no ambiente. Iluminações mais quentes e suaves podem contribuir para essa transição entre as atividades do dia e o período de descanso”, afirma o psicólogo.
Para quem tem dificuldades para dormir, a intensidade, a duração e o horário da exposição às luzes, mesmo sendo amarelas, são fundamentais. A exposição à luz durante a noite pode aumentar o estado de alerta, interferir na produção de melatonina e atrasar o momento em que o organismo começa a se preparar biologicamente para o sono. O que se sabe é que alterações persistentes no sono e no ritmo circadiano podem afetar o humor, a atenção, a memória e a capacidade de regulação emocional.
Hiure Gomes ressalta que a iluminação faz parte do ambiente psicológico em que vivemos. “Um espaço bem iluminado, com luz adequada para cada momento do dia, contribui para reduzir o estresse, melhorar a concentração, favorecer o equilíbrio emocional e criar uma sensação maior de conforto e segurança”. Portanto, para utilizar a iluminação a favor do bem-estar, a orientação é simples: dias claros e noites escuras.



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