Erros na fase pré-analítica concentram até 70% das falhas em exames laboratoriais
Mais de 70% dos diagnósticos médicos são baseados em exames laboratoriais. No entanto, um detalhe pouco conhecido pelo público geral é que a precisão de um resultado começa muito antes de a amostra entrar nos equipamentos de análise. Dados da literatura científica de patologia clínica apontam que entre 60% e 70% das falhas registradas em laboratórios ocorrem na chamada fase pré-analítica — a etapa inicial que abrange o preparo do paciente, a coleta do material biológico, a identificação do tubo e o transporte até a bancada.
Problemas comuns como amostras hemolisadas (quando as células de sangue se rompem por falhas na coleta), volume insuficiente de material, troca de identificação de tubos ou falta de orientação correta sobre o jejum podem invalidar o exame, exigindo uma nova coleta do paciente e atrasando diagnósticos determinantes.
Por se tratar da fase mais suscetível ao fator humano, a qualificação dos profissionais que atuam no primeiro contato com o paciente é apontada por especialistas como o principal gargalo para garantir a qualidade final dos exames de saúde.
Iniciativa social leva capacitação técnica ao Cais do Porto e comunidade Serviluz
Com o objetivo de suprir essa demanda do setor de saúde e, ao mesmo tempo, gerar oportunidade de emprego para moradores de comunidades vulneráveis, o Instituto Pró-Hemo (IPH) iniciou, nesta segunda-feira (14 de setembro), a segunda turma do seu programa IPH Educa nas Comunidades.
O projeto, que oferta a formação gratuita de Auxiliar de Laboratório de Análises Clínicas no bairro Cais do Porto, em Fortaleza, abriu seu ciclo de aulas priorizando o tema: “Fase Pré-Analítica: onde começa a qualidade do resultado laboratorial?”.
Durante o encontro presencial na Associação Civil União de Jovens Vicente Pinzon (UJVP), os novos estudantes receberam os primeiros ensinamentos sobre a responsabilidade do auxiliar na cadeia de diagnóstico. O curso tem duração de seis meses, aulas semanais no período noturno e inclui etapa de estágio prático.
Segundo Tatyane Rebouças, coordenadora de Ensino e Pesquisa do Instituto Pró-Hemo Saúde (IPH) , alinhar a teoria científica às necessidades reais do mercado é o foco da formação: “Mostrar aos alunos logo no primeiro dia de aula que a atenção e o cuidado na coleta evitam que um paciente receba um resultado impreciso transforma a percepção da profissão. Formamos profissionais conscientes da sua responsabilidade no cuidado com a vida.”



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