Dieta de Haaland chama atenção, mas especialista alerta: o segredo não está nas 6 mil calorias
Quem acompanhou a Copa do Mundo certamente reparou no atacante norueguês Erling Haaland. Responsável por marcar os dois gols na vitória da Noruega sobre o Brasil, que eliminou a Seleção Brasileira nas quartas de final, o jogador voltou a chamar atenção, desta vez, fora dos gramados. O motivo é sua dieta de aproximadamente 6 mil calorias por dia, composta por alimentos como fígado, coração bovino e até leite cru. Mas será que essa alimentação faz sentido ou há exageros?
Segundo a nutricionista e professora de Nutrição da Wyden, Amélia Ruth, a elevada ingestão calórica faz sentido dentro da rotina do jogador. “Haaland possui cerca de 1,95 m de altura, mais de 90 kg, alta massa muscular e uma rotina de treinos e jogos extremamente intensa. Seu gasto energético diário é muito superior ao da população geral. Uma dieta em torno de 6 mil calorias pode ser necessária para manter o peso, favorecer a recuperação muscular, repor os estoques de glicogênio e sustentar o desempenho durante toda a temporada”, explica.
Além da quantidade de calorias, a especialista destaca a qualidade dos alimentos consumidos pelo atleta. A base da alimentação é composta por proteínas de alto valor biológico, carnes, peixes, ovos, frutas, vegetais e carboidratos de boa qualidade. “Não basta atingir as calorias; é preciso escolher alimentos que também forneçam vitaminas, minerais e compostos bioativos importantes para recuperação e saúde”, afirma.
Outro ponto positivo apontado pela nutricionista é a preferência por alimentos minimamente processados. Ela lembra que estudos demonstram que dietas ricas em ultraprocessados favorecem um consumo calórico maior ao longo do dia, enquanto alimentos in natura ou minimamente processados promovem maior saciedade. Já o consumo de vísceras, como fígado e coração bovino, também possui vantagens nutricionais, por serem ricos em ferro, vitamina B12, vitamina A, zinco, selênio e colina. No entanto, Amélia ressalta que esses alimentos não são indispensáveis. “É perfeitamente possível obter esses nutrientes por meio de carnes magras, peixes, ovos, laticínios e uma alimentação variada. As vísceras podem fazer parte da dieta, mas não representam um alimento milagroso.”
Apesar dos pontos positivos, a nutricionista faz um alerta sobre um hábito associado ao jogador: o consumo de leite cru. Segundo ela, essa prática não é recomendada pelas principais autoridades de saúde, já que o leite não pasteurizado pode conter bactérias como Salmonella, Listeria, E. coli e Campylobacter, capazes de causar infecções alimentares potencialmente graves. “Até o momento, não existem evidências científicas consistentes mostrando que o leite cru ofereça benefícios nutricionais superiores ao leite pasteurizado que justifiquem esse risco”, destaca.
Para quem vê Haaland como inspiração, Amélia reforça que o mais importante é observar os princípios da alimentação, e não a quantidade consumida. “Se uma pessoa comum copiar uma dieta de 5 ou 6 mil calorias, muito provavelmente estará consumindo energia muito acima do necessário, favorecendo ganho de peso e aumentando o risco de doenças metabólicas. O que vale a pena copiar é priorizar alimentos minimamente processados, consumir boas fontes de proteína, incluir frutas, verduras e legumes diariamente, manter carboidratos de qualidade, além de dormir bem e se hidratar adequadamente”, conclui.




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