Maioria acima dos 60 anos está sexualmente satisfeita, mas saúde e estresse desafiam vida íntima masculina, indica estudo
A ideia de que a vida sexual termina com a chegada da terceira idade está cada vez mais distante da realidade. Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista científica Aging & Mental Health mostrou que a maioria dos brasileiros acima dos 60 anos permanece sexualmente satisfeita, independentemente da frequência das relações. O trabalho reforça uma tendência observada nos últimos anos: o envelhecimento ativo, marcado pela busca de bem-estar físico, emocional e social também na maturidade.
Os pesquisadores concluíram que a satisfação sexual entre idosos está associada a fatores que vão muito além da atividade sexual em si. Aspectos como saúde física, saúde mental, qualidade dos relacionamentos afetivos e percepção positiva do próprio envelhecimento exercem influência significativa sobre a forma como homens e mulheres vivenciam a sexualidade nessa etapa da vida.
Especialistas alertam, porém, que, entre os homens, a manutenção de uma vida sexual satisfatória pode enfrentar alguns obstáculos importantes a partir dos 50 anos. Condições como hipertensão arterial, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, alterações hormonais, sintomas urinários, estresse crônico e privação de sono figuram entre os principais fatores capazes de comprometer o desejo sexual, a disposição e o desempenho nas relações íntimas.
Segundo o urologista Dr. Diego Capibaribe, um dos erros mais comuns é atribuir automaticamente qualquer mudança na vida sexual ao avanço da idade. “Muitos homens acreditam que a perda de interesse sexual ou as dificuldades de desempenho são consequências inevitáveis do envelhecimento. Na prática, frequentemente encontramos fatores tratáveis por trás dessas queixas, como doenças metabólicas, problemas cardiovasculares, alterações hormonais, ansiedade ou mesmo excesso de estresse”, explica.
A rotina acelerada também tem contribuído para esse cenário. De acordo com o médico, pressões profissionais, preocupações financeiras, responsabilidades familiares e excesso de estímulos digitais podem elevar os níveis de ansiedade e dificultar o relaxamento necessário para a vivência da sexualidade. Além disso, noites mal dormidas e o sedentarismo afetam diretamente a produção hormonal, a circulação sanguínea e os níveis de energia do organismo.
Para o Dr. Capibaribe, a boa notícia é que muitos desses fatores podem ser controlados. A prática regular de atividade física, por exemplo, melhora a circulação, auxilia no controle do peso corporal, reduz o estresse e favorece à saúde cardiovascular, um dos pilares da saúde sexual masculina. Da mesma forma, uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, proteínas magras e grãos integrais, contribui para preservar funções importantes relacionadas ao desempenho sexual.
Outro ponto fundamental é a realização de consultas periódicas e exames preventivos. Isso porque alterações na vida sexual podem funcionar como um sinal precoce de problemas de saúde mais amplos. Em muitos casos, sintomas inicialmente percebidos na intimidade do homem podem levar ao diagnóstico de hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares ainda em estágios iniciais.
“Atualmente existem diversas opções terapêuticas para melhorar a qualidade da vida sexual masculina. Dependendo da avaliação clínica, podemos lançar mão de mudanças no estilo de vida, tratamento de doenças associadas, acompanhamento psicológico, reposição hormonal quando há indicação clínica e medicamentos específicos para determinadas disfunções. O importante é que o homem entenda que existem soluções, e que procurar ajuda não deve ser motivo de constrangimento”, afirma o Dr. Capibaribe.
Para o urologista, a sexualidade continua sendo um componente relevante da qualidade de vida ao longo do envelhecimento. “Hoje nós vivemos mais e com melhores condições de saúde do que as gerações anteriores, então é natural que os homens queiram preservar sua vida afetiva e sexual. O envelhecimento ativo passa por manter autonomia, bem-estar e satisfação em diferentes áreas da vida, e a sexualidade faz parte desse conjunto”, conclui.



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