Mesmo quem pratica exercícios pode ter rotina sedentária, alerta fisioterapeuta
Manter uma rotina de exercícios físicos é importante para a saúde, mas os cuidados com o corpo não devem se limitar ao tempo dedicado à academia ou a determinadas modalidades esportivas. A permanência prolongada na mesma posição durante o expediente ou nos momentos de lazer também merece atenção. Com o aumento das atividades realizadas diante de computadores, tablets e celulares, passar boa parte do dia sentado tornou-se um hábito frequente, inclusive entre pessoas fisicamente ativas.
Um levantamento do Ministério da Saúde, realizado por meio do Vigitel, mostra que 62,6% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal passam pelo menos três horas do tempo livre diário assistindo à televisão ou utilizando dispositivos eletrônicos. Embora o indicador não contemple todas as situações em que as pessoas permanecem sentadas, os números ajudam a demonstrar a presença desse comportamento na rotina da população.
De acordo com Giovana Soares Moreira, fisioterapeuta e coordenadora operacional de Fisioterapia da Hapvida, é importante diferenciar a falta de atividade física do comportamento sedentário. Os dois fatores não são equivalentes e podem estar presentes simultaneamente na vida de uma pessoa. Assim, mesmo quem realiza os exercícios recomendados durante a semana pode permanecer muitas horas sem movimentar o corpo ao longo do dia. “Manter uma rotina de exercícios é fundamental, mas isso não significa que o organismo esteja livre dos efeitos de longos períodos de inatividade. É importante distribuir melhor os momentos de movimento na rotina”, explica a especialista.
Na perspectiva da fisioterapia, a prevenção passa também pela atenção aos hábitos cotidianos. Permanecer por muito tempo na mesma posição, especialmente quando há postura inadequada e ausência de pausas, pode contribuir para o surgimento de dores nas costas e no pescoço, além de outros desconfortos musculoesqueléticos. O comportamento sedentário também está relacionado a riscos metabólicos e cardiovasculares.
Outro aspecto que merece cuidado é a utilização frequente de computadores e celulares. A repetição de movimentos, associada a condições ergonômicas inadequadas, pode provocar sobrecarga nos membros superiores. Entre os problemas relacionados a esses fatores estão a síndrome do túnel do carpo, a tenossinovite de De Quervain, as tendinites e tenossinovites do punho e a epicondilite lateral, popularmente conhecida como cotovelo de tenista.
Para reduzir esses riscos, a especialista recomenda alternar atividades, estabelecer intervalos durante o expediente e adequar o espaço de trabalho. Também é importante observar sinais como dor persistente, formigamento ou diminuição da força muscular, situações em que a avaliação de um profissional de saúde deve ser procurada.
A ergonomia é outro elemento importante nesse contexto. A disposição dos equipamentos pode ajudar a evitar tensões desnecessárias durante a jornada. A tela do computador, por exemplo, deve estar posicionada de modo que não seja necessário inclinar excessivamente a cabeça. Os pés precisam permanecer apoiados, enquanto os braços devem ficar relaxados, evitando tensão contínua nos ombros. “Não se trata de manter uma postura rígida durante todo o expediente, mas de adaptar o ambiente de trabalho às necessidades de cada pessoa e evitar permanecer na mesma posição por períodos prolongados”, orienta Giovana.
Pequenas mudanças de comportamento também podem contribuir para uma rotina mais ativa. Levantar entre uma reunião e outra, caminhar durante conversas telefônicas, utilizar escadas e realizar pequenos deslocamentos a pé são algumas possibilidades. Para quem dispõe de condições adequadas, alternar períodos de trabalho sentado e em pé pode ser outra estratégia. Lembretes no calendário ou alarmes discretos também ajudam a identificar quando já se passou muito tempo sem levantar.
As recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para adultos incluem de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica moderada por semana, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias semanais. Seguir essas orientações continua sendo essencial para a saúde, mas a redução do tempo dedicado a atividades sedentárias deve fazer parte dos cuidados complementares.
Nesse cenário, o fisioterapeuta pode contribuir para identificar comportamentos que precisam ser modificados, investigar fatores associados a dores e desconfortos e orientar ajustes no ambiente profissional e nas atividades diárias.
“O cuidado com o corpo precisa estar presente durante todo o dia, e não apenas nos momentos reservados à prática de exercícios. O objetivo é encontrar oportunidades para levantar, caminhar e mudar de posição, respeitando as condições e as necessidades de cada pessoa”, conclui a fisioterapeuta.
Sobre o Grupo Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.
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